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The Way

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Bíblia em 6 meses

Dia 81 de 182 · uns 27 min

Jó 29–34

Jó 29Abrir no leitor

1E Jó continuou a falar seu discurso, dizendo:

2Ah quem me dera que fosse como nos meses passados! Como nos dias em que Deus me guardava!

3Quando ele fazia brilhar sua lâmpada sobre minha cabeça, e eu com sua luz caminhava pelas trevas,

4Como era nos dias de minha juventude, quando a amizade de Deus estava sobre minha tenda;

5Quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, meus filhos ao redor de mim;

6Quando eu lavava meus passos com manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite!

7Quando eu saía para a porta da cidade, e na praça preparava minha cadeira,

8Os rapazes me viam, e abriam caminho; e os idosos se levantavam, e ficavam em pé;

9Os príncipes se detinham de falar, e punham a mão sobre a sua boca;

10A voz dos líderes se calava, e suas línguas se apegavam a céu da boca;

11O ouvido que me ouvia me considerava bem-aventurado, e o olho que me via dava bom testemunho de mim.

12Porque eu livrava ao pobre que clamava, e ao órfão que não tinha quem o ajudasse.

13A bênção do que estava a ponto de morrer vinha sobre mim; e eu fazia o coração da viúva ter grande alegria.

14Vestia-me de justiça, e ela me envolvia; e meu juízo era como um manto e um turbante.

15Eu era olhos para o cego, e pés para o manco.

16Aos necessitados eu era pai; e a causa que eu não sabia, investigava com empenho.

17E quebrava os queixos do perverso, e de seus dentes tirava a presa.

18E eu dizia: Em meu ninho expirarei, e multiplicarei meus dias como areia.

19Minha raiz se estendia junto às águas, e o orvalho ficava de noite em meus ramos.

20Minha honra se renovava em mim, e meu arco se revigorava em minha mão.

21Ouviam-me, e esperavam; e se calavam ao meu conselho.

22Depois de minha palavra nada replicavam, e minhas razões gotejavam sobre eles.

23Pois esperavam por mim como pela chuva, e abriam sua boca como para a chuva tardia.

24Se eu me ria com eles, não acreditavam; e não desfaziam a luz de meu rosto.

25Eu escolhia o caminho para eles, e me sentava à cabeceira; e habitava como rei entre as tropas, como o consolador dos que choram.

Jó 30Abrir no leitor

1Porém agora riem de mim os mais jovens do que eu, cujos pais eu havia desdenhado até de os pôr com os cães de meu rebanho.

2De que também me serviria força de suas mãos, nos quais o vigor já pereceu?

3Por causa da pobreza e da fome andavam sós; roem na terra seca, no lugar desolado e deserto em trevas.

4Que colhiam malvas entre os arbustos, e seu alimento eram as raízes dos zimbros.

5Do meio das pessoas eram expulsos, e gritavam contra eles, como a um ladrão.

6Habitavam nos barrancos dos ribeiros secos, nos buracos da terra, e nas rochas.

7Bramavam entre os arbustos, e se ajuntavam debaixo das urtigas.

8Eram filhos de tolos, filhos sem nome, e expulsos de sua terra.

9Porém agora sirvo-lhes de chacota, e sou para eles um provérbio de escárnio.

10Eles me abominam e se afastam de mim; porém não hesitam em cuspir no meu rosto.

11Pois Deus desatou minha corda, e me oprimiu; por isso tiraram de si todo constrangimento perante meu rosto.

12À direita os jovens se levantam; empurram meus pés, e preparam contra mim seus caminhos de destruição.

13Destroem meu caminho, e promovem minha miséria, sem necessitarem que alguém os ajude.

14Eles vêm contra mim como que por uma brecha larga, e revolvem-se entre a desolação.

15Pavores se voltam contra mim; perseguem minha honra como o vento, e como nuvem passou minha prosperidade.

16Por isso agora minha alma se derrama em mim; dias de aflição têm me tomado.

17De noite meus ossos se furam em mim, e meus pulsos não descansam.

18Por grande força de Deus minha roupa está estragada; ele me prendeu como a gola de minha roupa.

19Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.

20Clamo a ti, porém tu não me respondes; eu fico de pé, porém tu ficas apenas olhando para mim.

21Tu te tornaste cruel para comigo; com a força de tua mão tu me atacas.

22Levantas-me sobre o vento, e me fazes cavalgar sobre ele ; e dissolves o meu ser.

23Porque eu sei que me levarás à morte; e à casa determinada a todos os viventes.

24Porém não se estende a mão para quem está em ruínas, quando clamam em sua opressão?

25Por acaso eu não chorei pelo que estava em dificuldade, e minha alma não se angustiou pelo necessitado?

26Quando eu esperava o bem, então veio o mal; quando eu esperava a luz, veio a escuridão.

27Minhas entranhas fervem, e não se aquietam; dias de aflição me confrontam.

28Ando escurecido, mas não pelo sol; levanto-me na congregação, e clamo por socorro.

29Tornei-me irmão dos chacais, e companheiro dos avestruzes.

30Minha pele se escureceu sobre mim, e meus ossos se inflamam de febre.

31Por isso minha harpa passou a ser para lamentação, e minha flauta para vozes dos que choram.

Jó 31Abrir no leitor

1Eu fiz um pacto com meus olhos; como, pois, eu olharia com cobiça para a virgem?

2Pois qual é a porção dada por Deus acima, e a herança dada pelo Todo-Poderoso das alturas?

3Por acaso a calamidade não é para o perverso, e o desastre para os que praticam injustiça?

4Por acaso ele não vê meus caminhos, e conta todos os meus passos?

5Se eu andei com falsidade, e se meu pé se apressou para o engano,

6Pese-me ele em balanças justas, e Deus saberá minha integridade.

7Se meus passos se desviaram do caminho, e meu coração seguiu meus olhos, e se algo se apegou às minhas mãos,

8Que eu semeie, e outro coma; e meus produtos sejam arrancados.

9Se foi meu coração se deixou seduzir por alguma mulher, ou se estive espreitei à porta de meu próximo,

10Que minha mulher moa para outro, e outros se encurvem sobre ela.

11Pois tal seria um crime vergonhoso, e delito a ser sentenciado por juízes.

12Pois seria um fogo que consumiria até à perdição, e destruiria toda a minha renda.

13Se desprezei o direito de meu servo ou de minha serva quando eles reclamaram comigo,

14Que faria eu quando Deus se levantasse? E quando ele investigasse a causa ,o que eu lhe responderia?

15Aquele que me fez no ventre materno também não fez a ele? E não nos preparou de um mesmo modo na madre?

16Se eu neguei aos pobres o que eles desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva;

17E se comi meu alimento sozinho, e o órfão não comeu dele

18(Porque desde a minha juventude cresceu comigo como se eu fosse seu pai ,e desde o ventre de minha mãe guiei a viúva );

19Se eu vi alguém morrer por falta de roupa, e o necessitado sem algo que o cobrisse,

20Se sua cintura não me bendisse, quando ele se esquentava com as peles de meus cordeiros;

21Se levantei minha mão contra o órfão, quando vi que seria favorecido na corte judicial,

22Que minha escápula caia do meu ombro, e meu braço se quebre de sua articulação.

23Porque o castigo de Deus era um assombro para mim, e eu não teria poder contra sua majestade.

24Se eu pus no ouro minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és minha confiança;

25Se eu me alegrei de que minha riqueza era muita, e de que minha mão havia obtido muito;

26Se olhei para o sol quando brilhava, e à lua quando estava bela,

27E meu coração se deixou enganar em segredo, e minha boca beijou minha mão,

28Isto também seria um delito a ser sentenciado por juiz; porque teria negado ao Deus de cima.

29Se eu me alegrei da desgraça daquele que me odiava, e me agradei quando o mal o encontrou,

30Sendo que nem deixei minha boca pecar, desejando sua morte com maldição,

31Se a gente da minha casa nunca tivesse dito: Quem não se satisfez da carne dada por ele?

32O estrangeiro não passava a noite na rua; eu abria minhas portas ao viajante.

33Se encobri minhas transgressões como as pessoas fazem , escondendo meu delito em meu seio;

34Porque eu tinha medo da grande multidão, e o desprezo das famílias me atemorizou; então me calei, e não saí da porta:

35Quem me dera se alguém me ouvisse! Eis que minha vontade é que o Todo-Poderoso me responda, e meu adversário escrevesse um relato da acusação.

36Certamente eu o carregaria sobre meu ombro, e o poria em mim como uma coroa.

37Eu lhe diria o número de meus passos, e como um príncipe eu me chegaria a ele.

38Se minha terra clamar contra mim, e seus sulcos juntamente chorarem;

39Se comi seus frutos sem pagar dinheiro, ou fiz expirar a alma de seus donos;

40Em lugar de trigo que me produza cardos, e ervas daninhas no lugar da cevada. Aqui terminam as palavras de Jó.

Jó 32Abrir no leitor

1Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó, porque ele era justo em seus olhos.

2Porém se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu sua ira, porque justificava mais a si mesmo que a Deus.

3Também sua ira se acendeu contra seus três amigos, porque não achavam o que responder, ainda que tinham condenado a Jó.

4E Eliú tinha esperado a Jó naquela discussão, porque tinham mais idade que ele.

5Porém quando Eliú viu que não havia resposta na boca daqueles três homens, sua ira se acendeu.

6Por isso Eliú, filho de Baraquel, buzita, respondeu, dizendo: Eu sou jovem e vós sois idosos; por isso fiquei receoso e tive medo de vos declarar minha opinião.

7Eu dizia: Os dias falem, e a multidão de anos ensine sabedoria.

8Certamente há espírito no ser humano, e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entendedores.

9Não são somente os grandes que são sábios, nem somente os velhos entendem o juízo.

10Por isso eu digo: escutai-me; também eu declararei minha opinião.

11Eis que eu aguardei vossas palavras, e dei ouvidos a vossas considerações, enquanto vós buscáveis argumentos.

12Eu prestei atenção a vós, porém eis que ninguém há de vós que possa convencer a Jó, nem que responda a suas palavras.

13Portanto não digais: Encontramos a sabedoria; que Deus o derrote, e não o homem.

14Jó não dirigiu suas palavras a mim, nem eu lhe responderei com vossos dizeres.

15Estão pasmos, não respondem mais; faltam-lhes palavras.

16Esperei, pois, porém agora não falam; porque já pararam, e não respondem mais.

17Também eu responderei minha parte; também eu declararei minha opinião.

18Porque estou cheio de palavras, e o espírito em meu ventre me obriga.

19Eis que meu ventre é como o vinho que não tem abertura; e que está a ponto de arrebentar como odres novos.

20Falarei, para que eu me alivie; abrirei meus lábios, e responderei.

21Não farei eu acepção de pessoas, nem usarei de títulos lisonjeiros para com o homem.

22Pois não sei lisonjear; caso contrário ,meu Criador logo me removeria.

Jó 33Abrir no leitor

1Portanto, Jó, ouve, por favor, meus dizeres, e dá ouvidos a todas as minhas palavras.

2Eis que já abri minha boca; minha língua já fala debaixo do meu céu da boca.

3Meus dizeres pronunciarão a integridade do meu coração, e o puro conhecimento dos meus lábios.

4O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me deu vida.

5Se puderes, responde-me; dispõe-te perante mim, e persiste.

6Eis que para Deus eu sou como tu; do barro também eu fui formado.

7Eis que meu terror não te espantará, nem minha mão será pesada sobre ti.

8Certamente tu disseste a meus ouvidos, e eu ouvi a voz de tuas palavras,

9Que diziam : Eu sou limpo e sem transgressão; sou inocente, e não tenho culpa.

10Eis que Deus buscou pretextos contra mim, e me tem por seu inimigo.

11Ele pôs meus pés no tronco, e observa todas as minhas veredas.

12Eis que nisto não foste justo, eu te respondo; pois Deus é maior que o ser humano.

13Por que razão brigas contra ele por não dar resposta às palavras do ser humano?

14Contudo Deus fala uma ou duas vezes, ainda que o ser humano não entenda.

15Em sonho ou em visão noturna, quando o sono profundo cai sobre as pessoas, e adormecem na cama.

16Então o revela ao ouvido das pessoas, e os sela com advertências;

17Para desviar ao ser humano de sua obra, e do homem a soberba.

18Para desviar a sua alma da perdição, e sua vida de passar pela espada.

19Também em sua cama é castigado com dores, com luta constante em seus ossos,

20De modo que sua vida detesta até o pão, e sua alma a comida deliciosa.

21Sua carne desaparece da vista, e seus ossos, que antes não se viam, aparecem.

22Sua alma se aproxima da cova, e sua vida dos que causam a morte.

23Se com ele, pois, houver algum anjo, algum intérprete; um dentre mil, para anunciar ao ser humano o que lhe é correto,

24Então Deus terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à perdição; já achei o resgate.

25Sua carne se rejuvenescerá mais do que era na infância, e voltará aos dias de sua juventude.

26Ele orará a Deus, que se agradará dele; e verá sua face com júbilo, porque ele restituirá ao ser humano sua justiça.

27Ele olhará para as pessoas, e dirá: Pequei, e perverti o que era correto, o que de nada me aproveitou.

28Porém Deus livrou minha alma para que eu não passasse à cova, e agora minha vida vê a luz!

29Eis que Deus faz tudo isto duas ou três vezes com o ser humano,

30Para desviar sua alma da perdição, e o iluminar com a luz dos viventes.

31Presta atenção, Jó, e ouve-me; cala-te, e eu falarei.

32Se tiveres o que dizer, responde-me; fala, porque eu quero te justificar.

33E se não, escuta-me; cala-te, e eu ensinarei sabedoria.

Jó 34Abrir no leitor

1Eliú respondeu mais, dizendo:

2Ouvi, vós sábios, minhas palavras; e vós, inteligentes, dai-me ouvidos.

3Porque o ouvido prova as palavras, assim como o paladar experimenta a comida.

4Escolhamos para nós o que é correto, e conheçamos entre nós o que é bom.

5Pois Jó disse: Eu sou justo, e Deus tem me tirado meu direito.

6Por acaso devo eu mentir quanto ao meu direito? Minha ferida é dolorosa mesmo que eu não tenha transgressão.

7Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água?

8E que caminha na companhia dos que praticam maldade, e anda com homens perversos?

9Porque disse: De nada aproveita ao homem agradar-se em Deus.

10Portanto vós, homens de bom-senso, escutai-me; longe de Deus esteja a maldade, e do Todo- Poderoso a perversidade!

11Porque ele paga ao ser humano conforme sua obra, e faz a cada um conforme o seu caminho.

12Certamente Deus não faz injustiça, e o Todo-Poderoso não perverte o direito.

13Quem o pôs para administrar a terra? E quem dispôs a todo o mundo?

14Se ele tomasse a decisão, e recolhesse para si seu espírito e seu fôlego,

15Toda carne juntamente expiraria, e o ser humano se tornaria em pó.

16Se pois há em ti entendimento, ouve isto: dá ouvidos ao som de minhas palavras.

17Por acaso quem odeia a justiça poderá governar? E condenarás tu ao Poderoso Justo?

18Pode, por acaso, o rei ser chamado de vil, e os príncipes de perversos?

19Quanto menos a aquele que não faz acepção de pessoas de príncipes, nem valoriza mais o rico que o pobre! Pois todos são obras de suas mãos.

20Em um momento morrem; e à meia noite os povos são sacudidos, e passam; e o poderoso será tomado sem ação humana.

21Porque seus olhos estão sobre os caminhos do homem, e ele vê todos os seus passos.

22Não há trevas nem sombra de morte em que os que praticam maldade possam se esconder.

23Pois ele não precisa observar tanto ao homem para que este possa entrar em juízo com Deus.

24Ele quebranta aos fortes sem precisar de investigação, e põe outros em seu lugar.

25Visto que ele conhece suas obras, de noite os trastorna, e ficam destroçados.

26Ele os espanca à vista pública por serem maus.

27Pois eles se desviaram de segui-lo, e não deram atenção a nenhum de seus caminhos.

28Assim fizeram com que viesse a ele o clamor do pobre, e ele ouvisse o clamor dos aflitos.

29E se ele ficar quieto, quem o condenará? Se ele esconder o rosto, quem o olhará? Ele está quer sobre um povo, quer sobre um único ser humano,

30Para que a pessoa hipócrita não reine, e não haja ciladas ao povo.

31Por que não tão somente se diz: Suportei teu castigo não farei mais o que é errado;

32Ensina-me o que não vejo; se fiz alguma maldade, nunca mais a farei?

33Será a recompensa da parte dele como tu queres, para que a recuses? És tu que escolhes, e não eu; o que tu sabes, fala.

34As pessoas de entendimento dirão comigo, e o homem sábio me ouvirá;

35Jó não fala com conhecimento, e a suas palavras falta prudência.

36Queria eu que Jó fosse provado até o fim, por causa de suas respostas comparáveis a de homens malignos.

37Pois ao seu pecado ele acrescentou rebeldia; ele bate as mãos de forma desrespeitosa entre nós, e multiplica suas palavras contra Deus.

Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.