Dia 25 de 30 · uns 17 min
João 5–6
João 5Abrir no leitor
1Depois disto houve uma festa dos judeus, e subiu Jesus para Jerusalém.
2E há em Jerusalém à porta das ovelhas um tanque, que em hebraico se chama Betesda, que tem cinco entradas cobertas.
3Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos, e de corpo ressecado, aguardando o movimento da água.
4Porque um anjo descia de vez em quando ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que descia nele, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
5E estava ali um certo homem, que havia trinta e oito anos que estava enfermo.
6Vendo Jesus a este deitado, e sabendo, que já havia muito tempo que ali jazia, disse-lhe: Queres sarar?
7Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho homem algum para que, quando a água se agita, me ponha no tanque; e enquanto eu venho, outro desce antes de mim.
8Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma teu leito, e anda.
9E logo aquele homem sarou; e tomou seu leito, e andou. E era Sábado aquele dia.
10Disseram pois os judeus para aquele que fora curado: É Sábado, não te é lícito levar o leito.
11Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou, esse me disse: Toma teu leito, e anda.
12Perguntaram-lhe pois: Quem é o homem que te disse: Toma teu leito e anda?
13E o que fora curado, não sabia quem o era, porque Jesus se havia retirado, porque naquele lugar havia uma grande multidão.
14Depois Jesus achou-o no Templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.
15Aquele homem foi anunciar aos judeus que Jesus era o que o curara.
16E por isso os judeus perseguiam Jesus e procuravam matá-lo, porque ele fazia estas coisas no sábado.
17E Jesus lhes respondeu: Meu Pai até agora trabalha, e eu também trabalho.
18Por isto ainda mais procuravam os Judeus matá-lo, porque não só quebrava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
19Respondeu pois Jesus, e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo, que não pode o Filho fazer coisa alguma de si mesmo, a não ser aquilo que ele veja o Pai fazer; porque todas as coisas que ele faz, semelhantemente o Filho também as faz.
20Porque o Pai ama ao Filho, e todas as coisas que faz lhe mostra; e maiores obras que estas lhe mostrará, para que vós vos maravilheis.
21Porque como o Pai aos mortos ressuscita e vivifica, assim também o Filho aos que quer vivifica.
22Porque também o Pai a ninguém julga, mas todo o juízo deu ao Filho,
23Para que todos honrem ao Filho, como honram ao Pai. Quem não honra ao Filho, não honra ao Pai que o enviou.
24Em verdade, em verdade vos digo, que quem ouve minha palavra, e crê ao que me enviou, tem vida eterna, e não virá em condenação, mas passou da morte para a vida.
25Em verdade, em verdade vos digo, que a hora vem, e agora é, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aos que ao ouvirem, viverão.
26Porque como o Pai tem vida em si mesmo, assim deu também ao Filho que tivesse vida em si mesmo.
27E deu-lhe poder, para fazer juízo, porque é o Filho do homem.
28Não vos maravilheis disto; porque a hora vem, em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão sua voz.
29E sairão os que fizeram bem, para a ressurreição de vida; e os que fizeram mal, à ressurreição de condenação.
30Não posso eu de mim mesmo fazer alguma coisa. Como ouço, assim julgo; e meu juízo é justo; porque não busco minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.
31Se eu testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro.
32Outro há que testemunha de mim, e sei que o testemunho, que testemunha de mim, é verdadeiro.
33Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho à verdade.
34Porém eu não recebo testemunho humano; mas digo isto para que sejais salvos.
35Ele era uma lâmpada ardente e brilhante; e vós quisestes por um pouco de tempo alegrar em sua luz.
36Mas eu tenho maior testemunho que o de João; porque as obras que o Pai me deu que cumprisse, as mesmas obras que eu faço, testemunham de mim que o Pai me enviou.
37E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou de mim. Nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua aparência.
38E não tendes sua palavra permanecendo em vós; porque ao que ele enviou, a esse vós não credes.
39Investigai as Escrituras; porque vós pensais que nelas tendes a vida eterna, e elas são as que de mim testemunham.
40E não quereis vir a mim, para que tenhais vida.
41Não recebo honra humana.
42Mas eu bem vos conheço que não tendes o amor de Deus em vós mesmos.
43Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.
44Como podeis vós crer, se tomais honra uns dos outros, e não buscais a honra que vem somente de Deus?
45Não penseis que eu vos tenha de acusar para com o Pai; o que vos acusa é Moisés, em quem vós esperais.
46Porque se vós crêsseis em Moisés, também a mim me creríeis; porque de mim ele escreveu.
47Mas se não credes em seus escritos, como crereis em minhas palavras?
João 6Abrir no leitor
1Depois disto Jesus partiu para a outro lado do mar da Galileia, que é o de Tibérias.
2E uma grande multidão o seguia, porque viam seus sinais que ele fazia nos enfermos.
3E subiu Jesus ao monte, e sentou-se ali com seus discípulos.
4E já a Páscoa, a festa dos judeus, estava perto.
5Levantando pois Jesus os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha a ele, disse a Filipe: De onde comparemos pães, para que estes comam?
6(Mas ele disse isto para o testar; pois ele bem sabia o que havia de fazer.)
7Respondeu-lhe Filipe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.
8Disse-lhe um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro:
9Um menino está aqui que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto entre tantos?
10E disse Jesus: Fazei sentar as pessoas; e havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil.
11E tomou Jesus os pães, e havendo dado graças, repartiu-os aos discípulos, e os discípulos aos que estavam sentados, semelhantemente também dos peixes, quanto queriam.
12E quando já estiveram fartos, disse ele a seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13Então eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que tinham comido.
14Vendo, pois, aquelas pessoas o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é verdadeiramente o Profeta que havia de vir ao mundo!
15Sabendo pois Jesus que viriam, e o tomariam, para fazê-lo rei, voltou a se retirar sozinho ao monte.
16E quando veio o entardecer, seus discípulos desceram para o mar.
17E entrando no barco, vieram do outro lado do mar para Cafarnaum. E era já escuro, e Jesus ainda não tinha vindo a eles.
18E o mar se levantou, porque um grande vento soprava.
19E havendo já navegado quase vinte e cinco, ou trinta estádios, viram a Jesus andando sobre o mar, e se aproximando do barco; e temeram.
20Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.
21Eles, então, o receberam com agrado no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.
22O dia seguinte, vendo a multidão, que estava do outro lado do mar, que não havia ali mais que um barquinho, em que seus discípulos entraram; e que Jesus não entrara com seus discípulos naquele barquinho, mas que seus discípulos sós se haviam ido;
23(Porém outros barquinhos vieram de Tibérias, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças.)
24Vendo pois a multidão que Jesus não estava ali, nem seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e vieram a Cafarnaum em busca de Jesus.
25E achando-o do outro lado do mar, disseram: Rabi, quando chegaste aqui?
26Respondeu-lhes Jesus, e disse: Em verdade, em verdade vos digo, que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas pelo pão que comestes, e vos fartastes.
27Trabalhai não pela comida que perece, mas sim pela comida que permanece para vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque Deus Pai a este selou.
28Disseram-lhe pois: Que faremos para trabalhar as obras de Deus?
29Respondeu Jesus, e disse-lhes: Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou.
30Disseram-lhe pois: Que sinal, pois, fazes tu para que o vejamos, e em ti creiamos? O que tu operas?
31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Pão do céu ele lhes deu para comer.
32Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
33Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
34Disseram-lhe pois: Senhor, dá-nos sempre d este pão.
35E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; quem vem a mim de maneira nenhuma terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
36Mas já tenho vos dito que também me vistes, e não credes.
37Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e ao que vem a mim, em maneira nenhuma o lançarei fora.
38Porque eu desci do céu, não para fazer minha vontade, mas sim a vontade daquele que me enviou;
39E esta é a vontade do Pai, que me enviou: que de tudo quanto me deu, nada perca, mas que eu o ressuscite no último dia.
40E esta é a vontade daquele que me enviou, que todo aquele que vê ao Filho, e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
41Então os judeus murmuravam dele, porque ele tinha dito: Eu sou o pão que desceu do céu.
42E diziam: Não é este Jesus o filho de José, cujos pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, ele diz: Desci do céu?
43Respondeu, então, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.
44Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
45Escrito está nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu, esse vem a mim.
46Não que alguém tenha visto ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.
47Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em mim tem vida eterna.
48Eu sou o pão da vida.
49Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.
50Este é o pão que desceu do céu, para que o ser humano coma dele e não morra.
51Eu sou o pão vivo, que desceu do céu; se alguém comer deste pão, para sempre viverá. E o pão que eu darei é minha carne, a qual darei pela vida do mundo.
52Discutiam, pois, os Judeus entre si, dizendo: Como este pode nos dar sua carne para comer?
53Jesus, então, lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que se não comerdes a carne do Filho do homem e beberdes seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
54Quem come minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
55Porque minha carne verdadeiramente é comida; e meu sangue verdadeiramente é bebida.
56Quem come minha carne e bebe meu sangue, em mim permanece, e eu nele.
57Como o Pai vivo me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem come a mim também por mim viverá.
58Este é o pão que desceu do céu. Não como vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
59Estas coisas ele disse na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.
60Muitos pois de seus discípulos, ao ouvirem isto , disseram: Dura é esta palavra; quem a pode ouvir?
61Sabendo, pois, Jesus em si mesmo, que seus discípulos murmuravam disso, disse-lhes: Isto vos ofende?
62Que seria pois, se vísseis ao Filho do homem subir aonde estava primeiro?
63O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e são vida.
64Mas há alguns de vós que não creem.Porque Jesus já sabia desde o princípio quem eram os que não criam, e quem era o que o entregaria.
65E dizia: Por isso tenho vos dito que ninguém pode vir a mim, se não lhe for concedido por meu Pai.
66Desde então muitos de seus discípulos voltaram atrás, e já não andavam com ele.
67Disse, então, Jesus aos doze: Por acaso também vós quereis ir?
68Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, a quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;
69E nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
70Jesus lhes respondeu: Por acaso não fui eu que vos escolhi, os doze? Porém um de vós é um diabo.
71E ele dizia isto de Judas de Simão Iscariotes; porque ele o entregaria, o qual era um dos doze.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.