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Lucas 6–7
Lucas 6Abrir no leitor
1E aconteceu que, no segundo sábadodepois do primeiro, Jesus passou pelas plantações, e seus discípulos iam arrancando espigas, e comiam, debulhando-as com as mãos.
2E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados?
3E Jesus lhes respondeu: Nunca lestes isto, o que Davi fez quando teve fome, ele e os que com ele estavam?
4Como entrou na casa de Deus, tomou, e comeu os pães da apresentação, e deu também aos que estavam com ele, pães que não é lícito comer, a não ser só os sacerdotes?
5E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado.
6E aconteceu também em outro sábado que entrou na sinagoga, e estava ensinado; e ali estava um homem que tinha a mão direita definhada.
7E os escribas e fariseus o observavam, se o curaria no sábado; para acharem de que o acusar.
8Mas ele bem sabia dos seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão definhada: Levanta-te, e põe-te em pé no meio. E ele se levantou e se pôs de pé.
9Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos perguntarei: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? Salvar uma pessoa, ou matá-la?
10E ele, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez; e a mão foi lhe restituída sã como a outra.
11Então encheram-se de ira; e conversaram uns com os outros sobre o que fariam a Jesus.
12E aconteceu que naqueles dias ele foi ao monte para orar; e passou a noite orando a Deus.
13E quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também chamou de apóstolos:
14Simão, a quem também chamou de Pedro, e seu irmão André; Tiago, e João; Filipe, e Bartolomeu.
15Mateus, Tomé; Tiago filho de Alfeu, e Simão chamado “o Zelote”.
16Judas de Tiago, e Judas Iscariotes, o mesmo que foi o traidor.
17Ele desceu com eles, parou num lugar plano, e também com ele uma grande quantidade dos seus discípulos, e grande multidão do povo de toda a Judeia, de Jerusalém, da costa marítima de Tiro, e de Sidom,
18que tinham vindo para o ouvir, e para serem curados das suas enfermidades, como também os atormentados por espíritos imundos; e foram curados.
19E toda a multidão procurava tocá-lo; porque dele saía poder, e curava a todos.
20Ele levantou os olhos aos seus discípulos, e disse: Benditos sois vós, os pobres, porque o Reino de Deus é vosso.
21Benditos sois vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Benditos sois vós que agora chorais, porque rireis.
22Benditos sereis quando as pessoas vos odiarem, quando vos separarem, vos insultarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.
23Contentai-vos nesse dia, e saltai de alegria, porque eis que grande é a vossa recompensa nos céus; pois assim os pais deles faziam aos profetas.
24Mas ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação.
25Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que agora rides, porque lamentareis, e chorareis.
26Ai de vós quando todas as pessoas falarem bem de vós; porque assim os pais deles faziam aos falsos profetas.
27Mas a vós, que estais ouvindo, digo: amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos odeiam;
28bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos maltratam.
29Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te tirar a capa, não recuses a túnica.
30Dá a quem te pedir; e ao que te tomar o que é teu, não o peças de volta.
31E como vós quereis que as pessoas vos façam, fazei-lhes vós também da mesma maneira.
32E se amardes aos que vos amam, que mérito tereis? Pois também os pecadores amam os que os amam.
33E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito tereis? Pois também os pecadores fazem o mesmo.
34E se emprestardes àqueles de quem esperais receber de volta, que mérito tereis? Pois também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberam de volta o tanto equivalente.
35Em vez disso, amai aos vossos inimigos, fazei o bem, e emprestai, sem nada esperar disso; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque é benigno até para com os ingratos e maus.
36Portanto, sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso.
37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; liberai, e vos liberarão.
38Dai, e será vos dado; medida boa, comprimida, sacudida e transbordante vos darão no vosso colo; pois com a mesma medida que medirdes vos medirão de volta.
39E disse-lhesuma parábola: Acaso pode o cego guiar outro cego? Não cairão ambos no buraco?
40O discípulo não está acima do seu mestre; mas todo aquele que estiver completamente capacitado será como o seu mestre.
41E por que tu prestas atenção no cisco que está no olho do teu irmão, e não enxergas a trave que está no teu próprio olho?
42Ou como podes dizer a teu irmão: “Irmão, deixa-me tirar o cisco que está no teu olho”, se tu mesmo não prestas atenção na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave de teu olho, e então verás bem para tirar o cisco que está no olho do teu irmão.
43Pois não há boa árvore que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto.
44Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se tiram uvas dos cardos.
45A boa pessoa tira o bem do bom tesouro do seu coração, e a pessoa má tira o mal do mau tesouro do seu coração; pois a sua boca fala daquilo que o coração tem em abundância.
46E por que me chamais: “Senhor!”, “Senhor!”, e não fazeis o que eu digo?
47Todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante:
48Semelhante é ao homem que construiu uma casa, cavou, abriu bem fundo, e pôs o fundamento sobre a rocha; e quando veio a enchente, a corrente bateu com ímpeto naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha.
49Mas aquele que ouve e não pratica é semelhante ao homem que construiu uma casa sobre a terra, sem fundamento, na qual a corrente bateu com ímpeto, e logo caiu; e foi grande a queda daquela casa.
Lucas 7Abrir no leitor
1E depois de acabar todos os seus discursos aos ouvidos do povo, ele entrou em Cafarnaum.
2E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, que estava doente, e a ponto de morrer.
3E quando o centurião ouviu falar sobre Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
4Eles vieram a Jesus, e rogaram-lhe com urgência, dizendo: Ele é digno de lhe concederes isto,
5porque ele ama a nossa nação, e ele mesmo construiu a nossa sinagoga.
6Jesus foi com eles; mas quando já não estava longe da casa, o centurião enviou-lhe uns amigos, dizendo-lhe: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno que entres abaixo do meu telhado.
7Por isso que nem mesmo me considerei digno de vir a ti; mas diz uma palavra, e o meu servo sarará.
8Porque também eu sou homem subordinado à autoridade, e tenho soldados sob o meu comando, e digo a este: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e a meu servo: 'Faz isto', e ele faz”.
9Quando Jesus ouviu isso, admirou-se dele; então se virou, e disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem mesmo em Israel achei tanta fé.
10E quando os que foram enviados voltaram para casa, acharam com boa saúde o servo antes doente.
11E aconteceu no dia seguinte, que Jesus ia a uma cidade chamada Naim, e com ele iam muitos de seus discípulos e uma grande multidão.
12E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia grande multidão da cidade.
13Quando o Senhor a viu, comoveu-se de intima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores.
14Então se aproximou, tocou o caixão (e os que a levavam, pararam), e disse: Jovem, a ti eu digo: levanta-te.
15E o defunto se sentou e começou a falar; e ele o entregou à sua mãe.
16Todos se encheram de temor, e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo!”
17E essa sua fama correu por toda a Judeia, e por toda a região em redor.
18E os discípulos de João lhe anunciaram essas coisas.
19Então João chamou dois de seus discípulos, e os enviou a Jesus, dizendo: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?”
20E quando aqueles homens vieram a ele, disseram: “João Batista nos enviou a ti, dizendo: 'És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?'”
21E naquela mesma hora ele curou a muitos de enfermidades, males, e espíritos maus, e a deu vista a muitos cegos.
22E Jesus lhes respondeu: Ide, e anunciai a João as coisas que tendes visto e ouvido: que os cegos veem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o Evangelho.
23E bendito é aquele que não se ofender em mim.
24E quando os mensageiros de João se foram, Jesus começou a dizer às multidões acerca de João: Que saístes para ver no deserto? Alguma cana sacudida pelo vento?
25Mas que saístes para ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Eis que os que vestem roupas delicadas e vivem no luxo estão nos palácios reais.
26Mas que saístes para ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito mais que profeta.
27Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro adiante de tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti.
28Pois eu vos digo, que dentre os nascidos de mulheres, não há profeta maior que João, o Batista; mas o menor no reino dos céus é maior que ele.
29E todo o povo e os publicanos ouviram, concordaram que Deus era justo, e foram batizados com o batismo de João.
30Mas os fariseus e os estudiosos da Lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, e não foram batizados por ele.
31E o Senhor disse: “A quem, pois, compararei as pessoas desta geração? E a quem são semelhantes?
32São semelhantes às crianças sentadas na praça, que gritam umas às outras: 'Nós vos tocamos flautas, mas não dançastes; nós vos cantamos lamentações, mas não chorastes'.
33Porque veio João Batista, que não comia pão, nem bebia vinho, e dizeis: 'Ele tem demônio';
34Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: 'Eis um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores'.
35Mas a sabedoria foi considerada justa por todos os seus filhos”.
36E um dos fariseus lhe pediu que comesse com ele; então entrou na casa do fariseu, e sentou-se à mesa .
37E eis que uma mulher da cidade, que era pecadora, quando soube que ele estava na casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro de óleo perfumado.
38E estando atrás, aos seus pés, chorando, começou a molhar-lhe os pés com lágrimas; e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e os ungia com o óleo perfumado.
39E quando o fariseu que o havia convidado viu isso , falou consigo mesmo: Se ele fosse profeta, saberia quem e qual é a mulher que o toca; porque ela é pecadora.
40E Jesus lhe respondeu: “Simão, tenho uma coisa a te dizer”; e ele disse: “Dize-a, Mestre”.
41Jesus disse: “Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta.
42Como não tinham com que pagar, perdoou-lhes a dívida de ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?”
43Simão respondeu: Tenho para mim que aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste corretamente.
44Ele se voltou à mulher, e disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei na tua casa, e não me deste água para os pés; porém esta molhou os meus pés com lágrimas, e os enxugou com os seus cabelos da cabeça.
45Tu não me beijaste; porém esta, desde que entrou, não parou de me beijar os pés.
46Não ungiste a minha cabeça com óleo, porém esta ungiu os meus pés com óleo perfumado.
47Por isso te digo, os muitos pecados dela são perdoados, porque muito amou; mas ao que pouco se perdoa, pouco ama.
48E disse a ela: Os teus pecados são perdoados.
49E os que estavam sentados começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?
50E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai em paz.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.