Pular para o conteúdo
The Way

Procurar passagem ou palavra

Leitura

Livros de sabedoria em 60 dias

Dia 2 de 60 · uns 11 min

Jó 5–7

Jó 5Abrir no leitor

1Clama agora! Haverá alguém que te responda? E a qual dos santos te voltarás?

2Pois a ira acaba com o louco, e o zelo mata o tolo.

3Eu vi ao louco lançar raízes, porém logo amaldiçoei sua habitação.

4Seus filhos estarão longe da salvação; na porta são despedaçados, e não há quem os livre.

5O faminto devora sua colheita, e a tira até dentre os espinhos; e o assaltante traga sua riqueza.

6Porque a aflição não procede do pó da terra, nem a opressão brota do chão.

7Mas o ser humano nasce para a opressão, assim como as faíscas das brasas se levantam a voar.

8Porém eu buscaria a Deus, e a ele confiaria minha causa;

9Pois ele é o que faz coisas grandiosas e incompreensíveis, e inúmeras maravilhas.

10Ele é o que dá a chuva sobre a face da terra, e envia águas sobre os campos.

11Ele põe os humildes em lugares altos, para que os sofredores sejam postos em segurança.

12Ele frustra os planos dos astutos, para que suas mãos nada consigam executar.

13Ele prende aos sábios em sua própria astúcia; para que o conselho dos perversos seja derrubado.

14De dia eles se encontram com as trevas, e ao meio-dia andam apalpando como de noite.

15Porém livra ao necessitado da espada de suas bocas, e da mão do violento.

16Pois ele é esperança para o necessitado, e a injustiça tapa sua boca.

17Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; portanto não rejeites o castigo do Todo-Poderoso.

18Pois ele faz a chaga, mas também põe o curativo; ele fere, mas suas mãos curam.

19Em seis angústias ele te livrará, e em sete o mal não te tocará.

20Na fome ele te livrará da morte, e na guerra livrará do poder da espada.

21Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a destruição quando ela vier.

22Tu rirás da destruição e da fome, e não temerás os animais da terra.

23Pois até com as pedras do campo terás teu pacto, e os animais do campo serão pacíficos contigo.

24E saberás que há paz em tua tenda; e visitarás tua habitação, e não falharás.

25Também saberás que tua semente se multiplicará, e teus descendentes serão como a erva da terra.

26Na velhice virás à sepultura, como o amontoado de trigo que se recolhe a seu tempo.

27Eis que é isto o que temos constatado, e assim é; ouve-o, e pensa nisso tu para teu bem .

Jó 6Abrir no leitor

1Mas Jó respondeu, dizendo:

2Oh se pesassem justamente minha aflição, e meu tormento juntamente fosse posto em uma balança!

3Pois na verdade seria mais pesada que a areia dos mares; por isso minhas palavras têm sido impulsivas.

4Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo veneno meu espírito bebe; e temores de Deus me atacam.

5Por acaso o asno selvagem zurra junto à erva, ou o boi berra junto a seu pasto?

6Por acaso se come o insípido sem sal? Ou há gosto na clara do ovo?

7Minha alma se recusa tocar essas coisas ,que são para mim como comida detestável.

8Ah se meu pedido fosse realizado, e se Deus me desse o que espero!

9Que Deus me destruísse; ele soltasse sua mão, e acabasse comigo!

10Isto ainda seria meu consolo, um alívio em meio ao tormento que não me poupa; pois eu não tenho escondido as palavras do Santo.

11Qual é minha força para que eu espere? E qual meu fim, para que eu prolongue minha vida?

12É, por acaso, a minha força a força de pedras? Minha carne é de bronze?

13Tenho eu como ajudar a mim mesmo, se todo auxílio me foi tirado?

14Ao aflito, seus amigos deviam ser misericordiosos, mesmo se ele tivesse abandonado o temor ao Todo-Poderoso.

15Meus irmãos foram traiçoeiros comigo, como ribeiro, como correntes de águas que transbordam,

16Que estão escurecidas pelo gelo, e nelas se esconde a neve;

17Que no tempo do calor se secam e, ao se aquecerem, desaparecem de seu lugar;

18Os cursos de seus caminhos se desviam; vão se minguando, e perecem.

19As caravanas de Temã as veem; os viajantes de Sabá esperam por elas.

20Foram envergonhados por aquilo em que confiavam; e ao chegarem ali, ficaram desapontados.

21Agora, vós vos tornastes semelhantes a elas; pois vistes o terror, e temestes.

22Por acaso eu disse: Trazei-me algo ? Ou: Dai presente a mim de vossa riqueza?

23Ou: Livrai-me da mão do opressor? Ou: Resgatai-me das mãos dos violentos?

24Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.

25Como são fortes as palavras de boa razão! Mas o que vossa repreensão reprova?

26Pretendeis repreender palavras, sendo que os argumentos do desesperado são como o vento?

27De fato vós lançaríeis sortes sobre o órfão, e venderíeis vosso amigo.

28Agora, pois, disponde-vos a olhar para mim; e vede se eu minto diante de vós.

29Mudai de opinião, pois, e não haja perversidade; mudai de opinião, pois minha justiça continua.

30Há perversidade em minha língua? Não poderia meu paladar discernir as coisas más?

Jó 7Abrir no leitor

1Por acaso o ser humano não tem um trabalho duro sobre a terra, e não são seus dias como os dias de um assalariado?

2Como o servo suspira pela sombra, e como o assalariado espera por seu pagamento,

3Assim também me deram por herança meses inúteis, e me prepararam noites de sofrimento.

4Quando eu me deito, pergunto: Quando me levantarei? Mas a noite se prolonga, e me canso de me virar na cama até o amanhecer.

5Minha carne está coberta de vermes e de crostas de pó; meu pele está rachada e horrível.

6Meus dias são mais rápidos que a lançadeira do tecelão, e perecem sem esperança.

7Lembra-te que minha vida é um sopro; meus olhos não voltarão a ver o bem.

8Os olhos dos que me veem não me verão mais; teus olhos estarão sobre mim, porém deixarei de existir.

9A nuvem se esvaece, e passa; assim também quem desce ao Xeol nunca voltará a subir.

10Nunca mais voltará à sua casa, nem seu lugar o conhecerá.

11Por isso eu não calarei minha boca; falarei na angústia do meu espírito, e me queixarei na amargura de minha alma.

12Por acaso sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas guarda?

13Quando eu digo: Minha cama me consolará; meu leito aliviará minhas queixa,

14Então tu me espantas com sonhos, e me assombras com visões.

15Por isso minha alma preferia a asfixia e a morte, mais que meus ossos.

16Odeio a minha vida ; não viverei para sempre; deixa-me, pois que meus dias são inúteis.

17O que é o ser humano, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele teu coração,

18E o visites a cada manhã, e a cada momento o proves?

19Até quando não me deixarás, nem me liberarás até que eu engula minha saliva?

20Se pequei, o eu que te fiz, ó Guarda dos homens? Por que me fizeste de alvo de dardos, para que eu seja pesado para mim mesmo?

21E por que não perdoas minha transgressão, e tiras minha maldade? Porque agora dormirei no pó, e me buscarás de manhã, porém não mais existirei.

Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.