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Jó 11–13
Jó 11Abrir no leitor
1Então Zofar, o naamita, respondeu, dizendo:
2Por acaso a multidão de palavras não seria respondida? E o homem falador teria razão?
3Por acaso tuas palavras tolas faria as pessoas se calarem? E zombarias tu, e ninguém te envergonharia?
4Pois disseste: Minha doutrina é pura, e eu sou limpo diante de teus olhos.
5Mas na verdade, queria eu que Deus falasse, e abrisse seus lábios contra ti,
6E te fizesse saber os segredos da sabedoria, porque o verdadeiro conhecimento tem dois lados; por isso sabe tu que Deus tem te castigado menos que mereces por tua perversidade.
7Podes tu compreender os mistérios de Deus? Chegarás tu à perfeição do Todo-Poderoso?
8Sua sabedoria é mais alta que os céus; que tu poderás fazer? E mais profunda que o Xeol; que tu poderás conhecer?
9Sua medida é mais comprida que a terra, e mais larga que o mar.
10Se ele passar, e prender, ou se ajuntar para o julgamento ,quem poderá o impedir?
11Pois ele conhece as pessoas vãs, e vê a maldade; por acaso ele não a consideraria?
12O homem tolo se tornará entendido quando do asno selvagem nascer um humano.
13Se tu preparares o teu coração, e estenderes a ele tuas mãos;
14Se alguma maldade houver em tua mão, lança-a de ti, e não deixes a injustiça habitar em tuas tendas;
15Então levantarás teu rosto sem mácula; estarás firme, e não temerás;
16E esquecerás teu sofrimento, ou lembrarás dele como de águas que já passaram;
17E tua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, tu serás como o amanhecer.
18E serás confiante, porque haverá esperança; olharás em redor, e repousarás seguro.
19E te deitarás, e ninguém te causará medo; e muitos suplicarão a ti.
20Porém os olhos dos maus se enfraquecerão, e o refúgio deles perecerá; a esperança deles será a morte.
Jó 12Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Verdadeiramente vós sois o povo; e convosco morrerá a sabedoria.
3Também eu tenho entendimento como vós; e não sou inferior a vós; e quem há que não saiba coisas como essas?
4Eu sou o motivo de riso de meus amigos, eu que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e íntegro serve de riso.
5Na opinião de quem está descansado, a desgraça é desprezada, como se estivesse preparada aos que cujos pés escorregam.
6As tendas dos ladrões têm descanso, e os que irritam a Deus estão seguros; os que trazem seu deus em suas mãos.
7Verdadeiramente pergunta agora aos animais, que eles te ensinarão; e às aves dos céus, que elas te explicarão;
8Ou fala com a terra, que ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.
9Quem entre todas estas coisas não entende que a mão do SENHOR faz isto?
10Em sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana.
11Por acaso o ouvido não distingue as palavras, e o paladar prova as comidas?
12Nos velhos está o conhecimento, e na longa idade o entendimento.
13Com Deus está a sabedoria e a força; o conselho e o entendimento lhe pertencem.
14Eis que o que ele derruba não pode ser reconstruído; e ninguém pode libertar o homem a quem ele aprisiona.
15Eis que, quando ele detém as águas, elas se secam; quando ele as deixa sair, elas transtornam a terra.
16Com ele está a força e a sabedoria; Seu é o que erra, e o que faz errar.
17Ele leva os conselheiros despojados, e faz os juízes enlouquecerem.
18Ele solta a atadura dos reis, e ata um cinto a seus lombos.
19Ele leva os sacerdotes despojados, e transtorna os poderosos.
20Ele tira a fala daqueles a quem os outros confiam, e tira o juízo dos anciãos.
21Ele derrama menosprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.
22Ele revela as profundezas das trevas, e traz a sombra de morte à luz.
23Ele multiplica as nações, e ele as destrói; ele dispersa as nações, e as reúne.
24Ele tira o entendimento dos líderes do povo da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.
25Nas trevas andam apalpando, sem terem luz; e os faz cambalear como a bêbados.
Jó 13Abrir no leitor
1Eis que meus olhos têm visto tudo isto ; meus ouvidos o ouviram, e entenderam.
2Assim como vós o sabeis, eu também o sei; não sou inferior a vós.
3Mas eu falarei com o Todo-Poderoso, e quero me defender para com Deus.
4Pois na verdade vós sois inventores de mentiras; todos vós sois médicos inúteis.
5Bom seria se vos calásseis por completo, pois seria sabedoria de vossa parte.
6Ouvi agora meu argumento, e prestai atenção aos argumentos de meus lábios.
7Por acaso falareis perversidade por Deus, e por ele falareis engano?
8Fareis acepção de sua pessoa? Brigareis em defesa de Deus?
9Seria bom para vós se ele vos investigasse? Enganareis a ele como se engana a algum homem?
10Certamente ele vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas.
11Por acaso a majestade dele não vos espantará? E o temor dele não cairá sobre sobre vós?
12Vossos conceitos são provérbios de cinzas; vossas defesas são como defesas de lama.
13Calai-vos diante de mim, e eu falarei; e venha sobre mim o que vier.
14Por que tiraria eu minha carne com meus dentes, e poria minha alma em minha mão?
15Eis que, ainda que ele me mate, nele esperarei; porém defenderei meus caminhos diante dele.
16Ele mesmo será minha salvação; pois o hipócrita não virá perante ele.
17Ouvi com atenção minhas palavras, e com vossos ouvidos minha declaração.
18Eis que já tenho preparado minha causa; sei que serei considerado justo.
19Quem é o que brigará comigo? Pois então eu me calaria e morreria.
20Somente duas coisas não faças comigo; então eu não me esconderei de teu rosto:
21Afasta tua mão de sobre mim, e teu terror não me espante.
22Chama, e eu responderei; ou eu falarei, e tu me responde.
23Quantas culpas e pecados eu tenho? Faze-me saber minha transgressão e meu pecado.
24Por que escondes teu rosto, e me consideras teu inimigo?
25Por acaso quebrarás a folha arrebatada pelo vento ? E perseguirás a palha seca?
26Por que escreves contra mim amarguras, e me fazes herdar as transgressões de minha juventude?
27Também pões meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos. Tu pões limites às solas dos meus pés.
28Eu me consumo como a podridão, como uma roupa que a traça rói.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.