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Jó 24–27
Jó 24Abrir no leitor
1Por que os tempos não são marcados pelo Todo-Poderoso? Por que os que o conhecem não veem seus dias?
2Há os que mudam os limites de lugar, roubam rebanhos, e os apascentam.
3Levam o asno do órfão; penhoram o boi da viúva.
4Desviam do caminho aos necessitados; os pobres da terra juntos se escondem.
5Eis que como asnos selvagens no deserto eles saem a seu trabalho buscando insistentemente por comida; o deserto dá alimento a ele e a seus filhos.
6No campo colhem sua forragem, e vindimam a vinha do perverso.
7Passam a noite nus, por falta de roupa; sem terem coberta contra o frio.
8Pelas correntes das montanhas são molhados e, não tendo abrigo, abraçam-se às rochas.
9Há os que arrancam ao órfão do peito, e do pobre tomam penhor.
10Ao nus fazem andar sem vestes, e fazem os famintos carregarem feixes.
11Entre suas paredes espremem o azeite; pisam nas prensas de uvas, e ainda têm sede.
12Desde a cidade as pessoas gemem, e as almas dos feridos clamam; Mas Deus não dá atenção ao erro.
13Há os que se opõem à luz; não conhecem seus caminhos, nem permanecem em suas veredas.
14De manhã o homicida se levanta, mata ao pobre e ao necessitado, e de noite ele age como ladrão.
15O olho do adúltero aguarda o crepúsculo, dizendo: Olho nenhum me verá; E esconde seu rosto.
16Nas trevas vasculham as casas, de dia eles se trancam; não conhecem a luz.
17Porque a manhã é para todos eles como sombra de morte; pois são conhecidos dos pavores de sombra de morte.
18Ele é ligeiro sobre a superfície das águas; maldita é sua porção sobre a terra; não se vira para o caminho das vinhas.
19A seca e o calor desfazem as águas da neve; assim faz o Xeol aos que pecaram.
20A mãe se esquecerá dele; doce será para os vermes; nunca mais haverá memória dele , e a perversidade será quebrada como um árvore.
21Aflige à mulher estéril, que não dá à luz; e nenhum bem faz à viúva.
22Mas Deus arranca aos poderosos com seu poder; quando Deus se levanta, não há vida segura.
23Se ele lhes dá descanso, nisso confiam; mas os olhos de Deus estão postos nos caminhos deles.
24São exaltados por um pouco de tempo ,mas logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos, e cortados como cabeças das espigas.
25Se não é assim, quem me desmentirá, ou anulará minhas palavras?
Jó 25Abrir no leitor
1Então Bildade, o suíta, respondeu, dizendo:
2O domínio e o temor estão com ele; ele faz paz em suas alturas.
3Por acaso suas tropas têm número? E sobre quem não se levanta sua luz?
4Como, pois, o ser humano seria justo para com Deus? E como seria puro aquele que nasce de mulher?
5Eis que até a luz não tem brilho; nem as estrelas são puras diante de seus olhos.
6Quanto menos o ser humano, que é uma larva, e o filho de homem, que é um verme.
Jó 26Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Como tende ajudado ao que não tem força, e sustentado ao braço sem vigor!
3Como tende aconselhado ao que não tem conhecimento, e lhe explicaste detalhadamente a verdadeira causa!
4A quem tens dito tais palavras? E de quem é o espírito que sai de ti?
5Os mortos tremem debaixo das águas com os seus moradores.
6O Xeol está nu perante Deus , e não há cobertura para a perdição.
7Ele estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.
8Ele amarra as águas em suas nuvens, todavia a nuvem não se rasga debaixo dela.
9Ele encobre a face de seu trono, e sobre ele estende sua nuvem.
10Ele determinou limite à superfície das águas, até a fronteira entre a luz e as trevas.
11As colunas do céu tremem, e se espantam por sua repreensão.
12Ele agita o mar com seu poder, e com seu entendimento fere abate a Raabe.
13Por seu Espírito adornou os céus; sua mão perfurou a serpente veloz.
14Eis que estas são somente as bordas de seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem, pois, entenderia o trovão de seu poder?
Jó 27Abrir no leitor
1E Jó prosseguiu em falar seu discurso, e disse:
2Vive Deus, que tirou meu direito, o Todo-Poderoso, que amargou minha alma,
3Que enquanto meu fôlego estiver em mim, e o sopro de Deus em minhas narinas,
4Meus lábios não falarão injustiça, nem minha língua pronunciará engano.
5Nunca aconteça que eu diga que vós estais certos; até eu morrer nunca tirarei de mim minha integridade.
6Eu me apegarei à minha justiça, e não a deixarei ir; meu coração não terá de que me acusar enquanto eu viver.
7Seja meu inimigo como o perverso, e o que se levantar contra mim como o injusto.
8Pois qual é a esperança do hipócrita quando ele for cortado, quando Deus arrancar sua alma?
9Por acaso Deus ouvirá seu clamor quando a aflição vier sobre ele?
10Ele se deleitará no Todo-Poderoso? Invocará a Deus a todo tempo?
11Eu vos ensinarei acerca da mão de Deus; não esconderei o que há com o Todo-Poderoso.
12Eis que todos vós tendes visto isso ; então por que vos deixais enganar por ilusão?
13Esta é a porção do homem perverso para com Deus, a herança que os violentos receberão do Todo-Poderoso:
14Se seus filhos se multiplicarem, serão para a espada; e seus descendentes não se fartarão de pão;
15Os que lhe restarem, pela praga serão sepultados; e suas viúvas não chorarão.
16Se ele amontoar prata como o pó da terra, e se preparar roupas como lama,
17Mesmo ele tendo preparado, é o justo que se vestirá, e o inocente repartirá a prata.
18Ele constrói sua casa como a traça, como uma barraca feita por um vigilante.
19O rico dormirá, mas não será recolhido; ele abrirá seus olhos, e nada mais há para si.
20Medos o tomarão como águas; um turbilhão o arrebatará de noite.
21O vento oriental o levará, e ele partirá; e toma-o de seu lugar.
22E o atacará sem o poupar, enquanto ele tenta fugir de seu poder.
23Baterá palmas por causa dele, e desde seu lugar lhe assoviará.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.