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Jó 34–36
Jó 34Abrir no leitor
1Eliú respondeu mais, dizendo:
2Ouvi, vós sábios, minhas palavras; e vós, inteligentes, dai-me ouvidos.
3Porque o ouvido prova as palavras, assim como o paladar experimenta a comida.
4Escolhamos para nós o que é correto, e conheçamos entre nós o que é bom.
5Pois Jó disse: Eu sou justo, e Deus tem me tirado meu direito.
6Por acaso devo eu mentir quanto ao meu direito? Minha ferida é dolorosa mesmo que eu não tenha transgressão.
7Que homem há como Jó, que bebe o escárnio como água?
8E que caminha na companhia dos que praticam maldade, e anda com homens perversos?
9Porque disse: De nada aproveita ao homem agradar-se em Deus.
10Portanto vós, homens de bom-senso, escutai-me; longe de Deus esteja a maldade, e do Todo- Poderoso a perversidade!
11Porque ele paga ao ser humano conforme sua obra, e faz a cada um conforme o seu caminho.
12Certamente Deus não faz injustiça, e o Todo-Poderoso não perverte o direito.
13Quem o pôs para administrar a terra? E quem dispôs a todo o mundo?
14Se ele tomasse a decisão, e recolhesse para si seu espírito e seu fôlego,
15Toda carne juntamente expiraria, e o ser humano se tornaria em pó.
16Se pois há em ti entendimento, ouve isto: dá ouvidos ao som de minhas palavras.
17Por acaso quem odeia a justiça poderá governar? E condenarás tu ao Poderoso Justo?
18Pode, por acaso, o rei ser chamado de vil, e os príncipes de perversos?
19Quanto menos a aquele que não faz acepção de pessoas de príncipes, nem valoriza mais o rico que o pobre! Pois todos são obras de suas mãos.
20Em um momento morrem; e à meia noite os povos são sacudidos, e passam; e o poderoso será tomado sem ação humana.
21Porque seus olhos estão sobre os caminhos do homem, e ele vê todos os seus passos.
22Não há trevas nem sombra de morte em que os que praticam maldade possam se esconder.
23Pois ele não precisa observar tanto ao homem para que este possa entrar em juízo com Deus.
24Ele quebranta aos fortes sem precisar de investigação, e põe outros em seu lugar.
25Visto que ele conhece suas obras, de noite os trastorna, e ficam destroçados.
26Ele os espanca à vista pública por serem maus.
27Pois eles se desviaram de segui-lo, e não deram atenção a nenhum de seus caminhos.
28Assim fizeram com que viesse a ele o clamor do pobre, e ele ouvisse o clamor dos aflitos.
29E se ele ficar quieto, quem o condenará? Se ele esconder o rosto, quem o olhará? Ele está quer sobre um povo, quer sobre um único ser humano,
30Para que a pessoa hipócrita não reine, e não haja ciladas ao povo.
31Por que não tão somente se diz: Suportei teu castigo não farei mais o que é errado;
32Ensina-me o que não vejo; se fiz alguma maldade, nunca mais a farei?
33Será a recompensa da parte dele como tu queres, para que a recuses? És tu que escolhes, e não eu; o que tu sabes, fala.
34As pessoas de entendimento dirão comigo, e o homem sábio me ouvirá;
35Jó não fala com conhecimento, e a suas palavras falta prudência.
36Queria eu que Jó fosse provado até o fim, por causa de suas respostas comparáveis a de homens malignos.
37Pois ao seu pecado ele acrescentou rebeldia; ele bate as mãos de forma desrespeitosa entre nós, e multiplica suas palavras contra Deus.
Jó 35Abrir no leitor
1Eliú respondeu mais, dizendo:
2Pensas tu ser direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
3Porque disseste: Para que ela te serve? Ou : Que proveito terei dela mais que meu pecado?
4Eu darei reposta a ti, e a teus amigos contigo.
5Olha para os céus, e vê; e observa as nuvens, que são mais altas que tu.
6Se tu pecares, que mal farás contra ele? Se tuas transgressões se multiplicarem, que mal lhe farás?
7Se fores justo, que lhe darás? Ou o que ele receberá de tua mão?
8Tua perversidade poderia afetar a outro homem como tu; e tua justiça poderia ser proveitosa a algum filho do homem.
9Os aflitos clamam por causa da grande opressão; eles gritam por causa do poder dos grandes.
10Porém ninguém diz: Onde está Deus, meu Criador, que dá canções na noite,
11Que nos ensina mais que aos animais da terra, e nos faz sábios mais que as aves do céu?
12Ali clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
13Certamente Deus não ouvirá a súplica vazia, nem o Todo-Poderoso dará atenção a ela.
14Quanto menos ao que disseste: que tu não o vês! Porém o juízo está diante dele; portanto espera nele.
15Mas agora, já que a ira dele ainda não está castigando, e ele não deu completa atenção à arrogância,
16Por isso Jó abriu sua boca em vão, e multiplicou palavras sem conhecimento.
Jó 36Abrir no leitor
1Prosseguiu Eliú ainda, dizendo:
2Espera-me um pouco, e eu te mostrarei que ainda há palavras a favor de Deus.
3Desde longe trarei meu conhecimento, e a meu Criador atribuirei a justiça.
4Porque verdadeiramente minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem completo conhecimento.
5Eis que Deus é grande, porém despreza ninguém; grande ele é em poder de entendimento.
6Ele não permite o perverso viver, e faz justiça aos aflitos.
7Ele não tira seus olhos do justo; ao contrário, ele os faz sentar com os reis no trono, e assim são exaltados.
8E se estiverem presos em grilhões, e detidos com cordas de aflição,
9Então ele lhes faz saber as obras que fizeram, e suas transgressões, das quais se orgulharam.
10E revela a seus ouvidos, para que sejam disciplinados; e lhes diz, para que se convertam da maldade.
11Se ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias em prosperidade, e seus anos em prazeres.
12Porém se não ouvirem, perecerão pela espada, e morrerão sem conhecimento.
13E os hipócritas de coração acumulam a ira divina ; e quando ele os amarrar, mesmo assim não clamam.
14A alma deles morrerá em sua juventude, e sua vida entre os pervertidos.
15Ele livra o aflito de sua aflição, e na opressão ele revela a seus ouvidos.
16Assim também ele pode te desviar da boca da angústia para um lugar amplo, onde não haveria aperto; para o conforto de tua mesa, cheia dos melhores alimentos.
17Mas tu estás cheio do julgamento do perverso; o julgamento e a justiça te tomam.
18Por causa da furor, guarda-te para que não sejas seduzido pela riqueza, nem que um grande suborno te faça desviar.
19Pode, por acaso, a tua riqueza te sustentar para que não tenhas aflição, mesmo com todos os esforços de teu poder?
20Não anseies pela noite, em que os povos são tomados de seu lugar.
21Guarda-te, e não te voltes para a maldade; pois por isto que tens sido testado com miséria.
22Eis que Deus é exaltado em seu poder; que instrutor há como ele?
23Quem lhe indica o seu caminho? Quem poderá lhe dizer: Cometeste maldade?
24Lembra-te de engrandeceres sua obra, a qual os seres humanos contemplam.
25Todas as pessoas a veem; o ser humano a enxerga de longe.
26Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos; não se pode descobrir o número de seus anos.
27Ele traz para cima as gotas das águas, que derramam a chuva de seu vapor;
28A qual as nuvens destilam, gotejando abundantemente sobre o ser humano.
29Poderá alguém entender a extensão das nuvens, e os estrondos de seu pavilhão?
30Eis que estende sobre ele sua luz, e cobre as profundezas do mar.
31Pois por estas coisas ele julga aos povos, e dá alimento em abundância.
32Ele cobre as mãos com o relâmpago, e dá ordens para que atinja o alvo.
33O trovão anuncia sua presença; o gado também prenuncia a tempestade que se aproxima.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.