Dia 78 de 182 · uns 25 min
Jó 7–13
Jó 7Abrir no leitor
1Por acaso o ser humano não tem um trabalho duro sobre a terra, e não são seus dias como os dias de um assalariado?
2Como o servo suspira pela sombra, e como o assalariado espera por seu pagamento,
3Assim também me deram por herança meses inúteis, e me prepararam noites de sofrimento.
4Quando eu me deito, pergunto: Quando me levantarei? Mas a noite se prolonga, e me canso de me virar na cama até o amanhecer.
5Minha carne está coberta de vermes e de crostas de pó; meu pele está rachada e horrível.
6Meus dias são mais rápidos que a lançadeira do tecelão, e perecem sem esperança.
7Lembra-te que minha vida é um sopro; meus olhos não voltarão a ver o bem.
8Os olhos dos que me veem não me verão mais; teus olhos estarão sobre mim, porém deixarei de existir.
9A nuvem se esvaece, e passa; assim também quem desce ao Xeol nunca voltará a subir.
10Nunca mais voltará à sua casa, nem seu lugar o conhecerá.
11Por isso eu não calarei minha boca; falarei na angústia do meu espírito, e me queixarei na amargura de minha alma.
12Por acaso sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas guarda?
13Quando eu digo: Minha cama me consolará; meu leito aliviará minhas queixa,
14Então tu me espantas com sonhos, e me assombras com visões.
15Por isso minha alma preferia a asfixia e a morte, mais que meus ossos.
16Odeio a minha vida ; não viverei para sempre; deixa-me, pois que meus dias são inúteis.
17O que é o ser humano, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele teu coração,
18E o visites a cada manhã, e a cada momento o proves?
19Até quando não me deixarás, nem me liberarás até que eu engula minha saliva?
20Se pequei, o eu que te fiz, ó Guarda dos homens? Por que me fizeste de alvo de dardos, para que eu seja pesado para mim mesmo?
21E por que não perdoas minha transgressão, e tiras minha maldade? Porque agora dormirei no pó, e me buscarás de manhã, porém não mais existirei.
Jó 8Abrir no leitor
1Então Bildade, o suíta, respondeu, dizendo:
2Até quando falarás tais coisas, e as palavras de tua boca serão como um vento impetuoso?
3Por acaso Deus perverteria o direito, ou o Todo-Poderoso perverteria a justiça?
4Se teus filhos pecaram contra ele, ele também os entregou ao castigo por sua transgressão.
5Se tu buscares a Deus com empenho, e pedires misericórdia ao Todo-Poderoso;
6Se fores puro e correto, certamente logo ele se levantará em teu favor, e restaurará a morada de tua justiça.
7Ainda que teu princípio seja pequeno, o teu fim será muito grandioso.
8Pois pergunta agora à geração passada, e considera o que seus pais descobriram.
9Pois nós somos de ontem e nada sabemos, pois nossos dias sobre a terra são como a sombra.
10Por acaso eles não te ensinarão, e te dirão, e falarão palavras de seu coração?
11Pode o papiro crescer sem lodo? Ou pode o junco ficar maior sem água?
12Estando ele ainda verde, sem ter sido cortado, ainda assim se seca antes de toda erva.
13Assim são os caminhos de todos os que esquecem de Deus; e a esperança do corrupto perecerá;
14Sua esperança será frustrada, e sua confiança será como a teia de aranha.
15Ele se apoiará em sua casa, mas ela não ficará firme; ele se apegará a ela, mas ela não ficará de pé.
16Ele está bem regado diante do sol, e seus ramos brotam por cima de sua horta;
17Suas raízes se entrelaçam junto à fonte, olhando para o pedregal.
18Se lhe arrancarem de seu lugar, este o negará, dizendo : Nunca te vi.
19Eis que este é o prazer de seu caminho; e do solo outros brotarão.
20Eis que Deus não rejeita ao íntegro, nem segura pela mão aos malfeitores.
21Ainda ele encherá tua boca de riso, e teus lábios de júbilo.
22Os que te odeiam se vestirão de vergonha, e nunca mais haverá tenda de perversos.
Jó 9Abrir no leitor
1Mas Jó respondeu, dizendo:
2Na verdade sei que é assim; mas como pode o ser humano ser justo diante de Deus?
3Ainda se quisesse disputar com ele, não conseguiria lhe responder uma coisa sequer em mil.
4Ele é sábio de coração, e poderoso em forças. Quem se endureceu contra ele, e teve paz?
5Ele transporta as montanhas sem que o saibam; e as transtorna em seu furor.
6Ele remove a terra de seu lugar, e faz suas colunas tremerem.
7Ele dá ordem ao sol, e ele não brilha; e sela as estrelas.
8Ele é o que sozinho estende os céus, e anda sobre as alturas do mar.
9Ele é o que fez a Usra, o Órion, as Plêiades, e as constelações do sul.
10Ele é o que faz coisas grandes e incompreensíveis, e inúmeras maravilhas.
11Eis que ele passa diante de mim, sem que eu não o veja; ele passará diante de mim, sem que eu saiba.
12Eis que, quando ele toma, quem pode lhe impedir? Quem poderá lhe dizer: O que estás fazendo?
13Deus não reverterá sua ira, e debaixo dele se encurvam os assistentes de Raabe.
14Como poderia eu lhe responder, e escolher minhas palavras contra ele?
15A ele, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; a meu juiz pediria misericórdia.
16Ainda que eu lhe chamasse, e ele respondesse, mesmo assim não creria que ele tivesse dado ouvidos à minha voz.
17Pois ele tem me quebrantado com tempestade, e multiplicado minhas feridas sem causa.
18Ele não me permite respirar; em vez disso, me farta de amarguras.
19Quanto às forças, eis que ele é forte; e quanto ao juízo, ele diria : Quem me convocará?
20Ainda que eu seja justo, minha boca me condenaria; se eu fosse inocente, então ela me declararia perverso.
21Mesmo se eu for inocente, não estimo minha alma; desprezo minha vida.
22É tudo a mesma coisa; por isso digo: ele consome ao inocente e ao perverso.
23Quando o açoite mata de repente, ele ri do desespero dos inocentes.
24A terra está entregue nas mãos dos perversos. Ele cobre o rosto de seus juízes. Se não é ele, então quem é?
25Meus dias foram mais rápidos que um homem que corre; fugiram, e não viram o bem.
26Passaram como barcos de papiro, como a águia que se lança à comida.
27Se disser: Esquecerei minha queixa, mudarei o aspecto do meu rosto, e sorrirei,
28Ainda teria pavor de todas as minhas dores; pois sei que não me terás por inocente.
29Se eu já estou condenado, então para que eu sofreria em vão?
30Ainda que me lave com água de neve, e limpe minhas mãos com sabão,
31Então me submergirias no fosso, e minhas próprias vestes me abominariam.
32Pois ele não é homem como eu, para que eu lhe responda, e venhamos juntamente a juízo.
33Não há entre nós árbitro que ponha sua mão sobre nós ambos,
34Tire de sobre mim sua vara, e seu terror não me espante.
35Então eu falaria, e não teria medo dele. Pois não está sendo assim comigo.
Jó 10Abrir no leitor
1Minha alma está cansada de minha vida. Darei liberdade à minha queixa sobre mim; falarei com amargura de minha alma.
2Direi a Deus: Não me condenes; faz-me saber por que brigas comigo.
3Parece -te bem que me oprimas, que rejeites o trabalho de tuas mãos, e favoreças o conselho dos perversos?
4Tens tu olhos de carne? Vês tu como o ser humano vê?
5São teus dias como os dias do ser humano, ou teus anos como os anos do homem,
6Para que investigues minha perversidade, e pesquises meu pecado?
7Tu sabes que eu não sou mau; todavia ninguém há que me livre de tua mão.
8Tuas mãos me fizeram e me formaram por completo; porém agora tu me destróis.
9Por favor, lembra-te que me preparaste como o barro; e me farás voltar ao pó da terra.
10Por acaso não me derramaste como o leite, e como o queijo me coalhaste?
11De pele e carne tu me vestiste; e de ossos e nervos tu me teceste.
12Vida e misericórdia me concedeste, e teu cuidado guardou meu espírito.
13Porém estas coisas escondeste em teu coração; eu sei que isto esteve contigo:
14Se eu pecar, tu me observarás, e não absolverás minha culpa.
15Se eu for perverso, ai de mim! Mesmo se eu for justo, não levantarei minha cabeça; estou farto de desonra, e de ver minha aflição.
16Se minha cabeça se exaltar, tu me caças como um leão feroz, e voltas a fazer em coisas extraordinárias contra mim.
17Renovas tuas testemunhas contra mim, e multiplicas tua ira sobre mim; combates vêm sucessivamente contra mim.
18Por que me tiraste da madre? Bom seria se eu não tivesse respirado, e nenhum olho me visse!
19Teria sido como se nunca tivesse existido, e desde o ventre materno seria levado à sepultura.
20Por acaso não são poucos os meus dias? Cessa pois e deixa-me, para que eu tenha um pouco de alívio,
21Antes que eu me vá para não voltar, à terra da escuridão e da sombra de morte;
22Terra escura ao extremo, tenebrosa, sombra de morte, sem ordem alguma, onde a luz é como a escuridão.
Jó 11Abrir no leitor
1Então Zofar, o naamita, respondeu, dizendo:
2Por acaso a multidão de palavras não seria respondida? E o homem falador teria razão?
3Por acaso tuas palavras tolas faria as pessoas se calarem? E zombarias tu, e ninguém te envergonharia?
4Pois disseste: Minha doutrina é pura, e eu sou limpo diante de teus olhos.
5Mas na verdade, queria eu que Deus falasse, e abrisse seus lábios contra ti,
6E te fizesse saber os segredos da sabedoria, porque o verdadeiro conhecimento tem dois lados; por isso sabe tu que Deus tem te castigado menos que mereces por tua perversidade.
7Podes tu compreender os mistérios de Deus? Chegarás tu à perfeição do Todo-Poderoso?
8Sua sabedoria é mais alta que os céus; que tu poderás fazer? E mais profunda que o Xeol; que tu poderás conhecer?
9Sua medida é mais comprida que a terra, e mais larga que o mar.
10Se ele passar, e prender, ou se ajuntar para o julgamento ,quem poderá o impedir?
11Pois ele conhece as pessoas vãs, e vê a maldade; por acaso ele não a consideraria?
12O homem tolo se tornará entendido quando do asno selvagem nascer um humano.
13Se tu preparares o teu coração, e estenderes a ele tuas mãos;
14Se alguma maldade houver em tua mão, lança-a de ti, e não deixes a injustiça habitar em tuas tendas;
15Então levantarás teu rosto sem mácula; estarás firme, e não temerás;
16E esquecerás teu sofrimento, ou lembrarás dele como de águas que já passaram;
17E tua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, tu serás como o amanhecer.
18E serás confiante, porque haverá esperança; olharás em redor, e repousarás seguro.
19E te deitarás, e ninguém te causará medo; e muitos suplicarão a ti.
20Porém os olhos dos maus se enfraquecerão, e o refúgio deles perecerá; a esperança deles será a morte.
Jó 12Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Verdadeiramente vós sois o povo; e convosco morrerá a sabedoria.
3Também eu tenho entendimento como vós; e não sou inferior a vós; e quem há que não saiba coisas como essas?
4Eu sou o motivo de riso de meus amigos, eu que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e íntegro serve de riso.
5Na opinião de quem está descansado, a desgraça é desprezada, como se estivesse preparada aos que cujos pés escorregam.
6As tendas dos ladrões têm descanso, e os que irritam a Deus estão seguros; os que trazem seu deus em suas mãos.
7Verdadeiramente pergunta agora aos animais, que eles te ensinarão; e às aves dos céus, que elas te explicarão;
8Ou fala com a terra, que ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.
9Quem entre todas estas coisas não entende que a mão do SENHOR faz isto?
10Em sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana.
11Por acaso o ouvido não distingue as palavras, e o paladar prova as comidas?
12Nos velhos está o conhecimento, e na longa idade o entendimento.
13Com Deus está a sabedoria e a força; o conselho e o entendimento lhe pertencem.
14Eis que o que ele derruba não pode ser reconstruído; e ninguém pode libertar o homem a quem ele aprisiona.
15Eis que, quando ele detém as águas, elas se secam; quando ele as deixa sair, elas transtornam a terra.
16Com ele está a força e a sabedoria; Seu é o que erra, e o que faz errar.
17Ele leva os conselheiros despojados, e faz os juízes enlouquecerem.
18Ele solta a atadura dos reis, e ata um cinto a seus lombos.
19Ele leva os sacerdotes despojados, e transtorna os poderosos.
20Ele tira a fala daqueles a quem os outros confiam, e tira o juízo dos anciãos.
21Ele derrama menosprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.
22Ele revela as profundezas das trevas, e traz a sombra de morte à luz.
23Ele multiplica as nações, e ele as destrói; ele dispersa as nações, e as reúne.
24Ele tira o entendimento dos líderes do povo da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.
25Nas trevas andam apalpando, sem terem luz; e os faz cambalear como a bêbados.
Jó 13Abrir no leitor
1Eis que meus olhos têm visto tudo isto ; meus ouvidos o ouviram, e entenderam.
2Assim como vós o sabeis, eu também o sei; não sou inferior a vós.
3Mas eu falarei com o Todo-Poderoso, e quero me defender para com Deus.
4Pois na verdade vós sois inventores de mentiras; todos vós sois médicos inúteis.
5Bom seria se vos calásseis por completo, pois seria sabedoria de vossa parte.
6Ouvi agora meu argumento, e prestai atenção aos argumentos de meus lábios.
7Por acaso falareis perversidade por Deus, e por ele falareis engano?
8Fareis acepção de sua pessoa? Brigareis em defesa de Deus?
9Seria bom para vós se ele vos investigasse? Enganareis a ele como se engana a algum homem?
10Certamente ele vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas.
11Por acaso a majestade dele não vos espantará? E o temor dele não cairá sobre sobre vós?
12Vossos conceitos são provérbios de cinzas; vossas defesas são como defesas de lama.
13Calai-vos diante de mim, e eu falarei; e venha sobre mim o que vier.
14Por que tiraria eu minha carne com meus dentes, e poria minha alma em minha mão?
15Eis que, ainda que ele me mate, nele esperarei; porém defenderei meus caminhos diante dele.
16Ele mesmo será minha salvação; pois o hipócrita não virá perante ele.
17Ouvi com atenção minhas palavras, e com vossos ouvidos minha declaração.
18Eis que já tenho preparado minha causa; sei que serei considerado justo.
19Quem é o que brigará comigo? Pois então eu me calaria e morreria.
20Somente duas coisas não faças comigo; então eu não me esconderei de teu rosto:
21Afasta tua mão de sobre mim, e teu terror não me espante.
22Chama, e eu responderei; ou eu falarei, e tu me responde.
23Quantas culpas e pecados eu tenho? Faze-me saber minha transgressão e meu pecado.
24Por que escondes teu rosto, e me consideras teu inimigo?
25Por acaso quebrarás a folha arrebatada pelo vento ? E perseguirás a palha seca?
26Por que escreves contra mim amarguras, e me fazes herdar as transgressões de minha juventude?
27Também pões meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos. Tu pões limites às solas dos meus pés.
28Eu me consumo como a podridão, como uma roupa que a traça rói.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.