Dia 79 de 182 · uns 25 min
Jó 14–20
Jó 14Abrir no leitor
1O homem, nascido de mulher, é curto de dias, e farto de inquietação;
2Ele sai como uma flor, e é cortado; foge como a sombra, e não permanece.
3Contudo sobre este abres teus olhos, e me trazes a juízo contigo.
4Quem tirará algo puro do imundo? Ninguém.
5Visto que seus dias já estão determinados, e contigo está o número de seus meses, tu lhe puseste limites, dos quais ele não passará.
6Desvia-te dele, para que ele tenha repouso; até que, como o empregado, complete seu dia.
7Porque há ainda alguma esperança para a árvore que, se cortada, ainda se renove, e seus renovos não cessem.
8Ainda que sua raiz se envelheça na terra, e seu tronco morra no solo,
9Ao cheiro das águas ela brotará, e dará ramos como uma planta nova.
10Porém o homem morre, e se abate; depois de expirar, onde ele está?
11As águas se vão do lago, e o rio se esgota, e se seca.
12Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, eles não despertarão, nem se erguerão de seu sono.
13Ah, se tu me escondesses no Xeol, e me ocultasses até que a tua ira passasse, se me pusesses um limite de tempo, e te lembrasses de mim!
14Se o homem morrer, voltará a viver? Todos os dias de meu combate esperarei, até que venha minha dispensa.
15Tu me chamarás, e eu te responderei; e te afeiçoarás à obra de tuas mãos.
16Pois então tu contarias meus passos, e não ficarias vigiando meu pecado.
17Minha transgressão estaria selada numa bolsa, e tu encobririas minhas perversidades.
18E assim como a montanha cai e é destruída, e a rocha muda de seu lugar,
19E a água desgasta as pedras, e as enxurradas levam o pó da terra, assim também tu fazes perecer a esperança do homem.
20Sempre prevaleces contra ele, e ele passa; tu mudas o aspecto de seu rosto, e o despedes.
21Se seus filhos vierem a ter honra, ele não saberá; se forem humilhados, ele não perceberá.
22Ele apenas sente as dores em sua própria carne, e lamenta por sua própria alma.
Jó 15Abrir no leitor
1Então Elifaz, o temanita, respondeu, dizendo:
2Por acaso o sábio dará como resposta vão conhecimento, e encherá seu ventre de vento oriental?
3Repreenderá com palavras que nada servem, e com argumentos que de nada aproveitam?
4Porém tu destróis o temor, e menosprezas a oração diante de Deus.
5Pois tua perversidade conduz tua boca, e tu escolheste a língua dos astutos.
6Tua boca te condena, e não eu; e teus lábios dão testemunho contra ti.
7Por acaso foste tu o primeiro ser humano a nascer? Ou foste gerado antes dos morros?
8Ouviste tu o segredo de Deus? Reténs tu apenas contigo a sabedoria?
9O que tu sabes que nós não saibamos? O que tu entendes que não tenhamos entendido ?
10Entre nós também há os que tenham cabelos grisalhos, também há os que são muito mais idosos que teu pai.
11Por acaso as consolações de Deus te são poucas? As mansas palavras voltadas a ti?
12Por que o teu coração te arrebata, e por que centelham teus olhos,
13Para que vires teu espírito contra Deus, e deixes sair tais tais palavras de tua boca?
14O que é o homem, para que seja puro? E o nascido de mulher, para que seja justo?
15Eis que Deus não confia em seus santos, nem os céus são puros diante de seus olhos;
16Quanto menos o homem, abominável e corrupto, que bebe a maldade como água?
17Escuta-me; eu te mostrarei; eu te contarei o que vi.
18(O que os sábios contaram, o que não foi encoberto por seus pais,
19A somente os quais a terra foi dada, e estranho nenhum passou por meio deles):
20Todos os dias do perverso são sofrimento para si, o número de anos reservados ao opressor.
21Ruídos de horrores estão em seus ouvidos; até na paz lhe sobrevém o assolador.
22Ele não crê que voltará da escuridão; ao contrário, a espada o espera.
23Anda vagueando por comida, onde quer que ela esteja. Ele sabe que o dia das trevas está prestes a acontecer.
24Angústia e aflição o assombram, e prevalecem contra ele como um rei preparado para a batalha;
25Porque ele estendeu sua mão contra Deus, e se embraveceu contra o Todo-Poderoso,
26Corre contra ele com dureza de pescoço, e como seus escudos grossos e levantados.
27Porque cobriu seu rosto com sua gordura, e engordou as laterais de seu corpo.
28E habitou em cidades desoladas cidades, em casas desabitadas; que estavam prestes a desmoronar.
29Ele não enriquecerá, nem seu patrimônio subsistirá, nem suas riquezas se estenderão pela terra.
30Não escapará das trevas; a chama secará seus ramos, e ao sopro de sua boca desparecerá.
31Não confie ele na ilusão para ser enganado; pois a sua recompensa será nada.
32Não sendo ainda seu tempo, ela se cumprirá; e seu ramo não florescerá.
33Sacudirá suas uvas antes de amadurecerem como a vide, e derramará sua flor como a oliveira.
34Pois a ajuntamento dos hipócritas será estéril, e fogo consumirá as tendas do suborno.
35Eles concebem a maldade, e dão à luz a perversidade; e o ventre deles prepara enganos.
Jó 16Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Ouvi muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores miseráveis.
3Por acaso terão fim as palavras de vento? Ou o que é que te provoca a responderes?
4Também eu poderia falar como vós, se vossa alma estivesse no lugar da minha alma; eu poderia amontoar palavras contra vós, e contra vós sacudir minha cabeça.
5Porém eu vos confortaria com minha boca, e a consolação de meus lábios serviria para aliviar.
6Ainda que eu fale, minha dor não cessa; e se eu me calar, em que me alivio?
7Na verdade agora ele me tornou exausto; tu assolaste toda a minha companhia.
8Testemunha disto é que já me enrugaste; e minha magreza já se levanta contra mim para em meu rosto dar testemunho contra mim .
9Sua ira me despedaça, e ele me odeia; range seus dentes contra mim; meu adversário aguça seus olhos contra mim.
10Abrem sua boca contra mim; com desprezo esbofeteiam meu rosto, e todos se ajuntam contra mim.
11Deus me entregou ao perverso, e me fez cair nas mãos dos malignos.
12Tranquilo eu estava, porém ele me quebrantou; e pegou-me pelo pescoço, e me despedaçou; e fez de mim seu alvo de pontaria.
13Seus flecheiros me cercaram-me, partiu meus rins, e não me poupou; meu fel derramou em terra.
14Quebrantou-me de quebrantamento sobre quebrantamento; correu contra mim como um guerreiro.
15Costurei saco sobre minha pele, e revolvi minha cabeça no pó.
16Meu rosto está vermelho de choro, e minhas pálpebras estão escurecidas ao extremo;
17Apesar de não haver injustiça em minhas mãos, e de minha oração ser pura.
18Ó terra! Não cubras o meu sangue, e não haja lugar para meu clamor!
19Eis que mesmo agora minha testemunha está nos céus, e meu defensor nas alturas.
20Meus amigos zombam de mim, mas meus olhos estão derramando para Deus.
21Ah, se fosse possível defender a causa com Deus em favor do homem, como o filho do homem em favor de seu amigo!
22Pois poucos anos restam, e seguirei o caminho por onde não voltarei.
Jó 17Abrir no leitor
1Meu espírito está arruinado, meus dias vão se extinguindo, e a sepultura já etá pronta para mim.
2Comigo há ninguém além de zombadores, e meus olhos são obrigados a ficar diante de suas provocações.
3Concede-me, por favor, uma garantia para comigo; quem outro há que me dê a mão?
4Pois aos corações deles tu encobriste do entendimento; portanto não os exaltarás.
5Aquele que denuncia a seus amigos em proveito próprio, também os olhos de seus filhos desfalecerão.
6Ele tem me posto por ditado de povos, e em meu rosto é onde eles cospem.
7Por isso meus olhos se escureceram de mágoa, e todos os membros de meu corpo são como a sombra.
8Os íntegros pasmarão sobre isto, e o inocente se levantará contra o hipócrita.
9E o justo prosseguirá seu caminho, e o puro de mãos crescerá em força.
10Mas, na verdade, voltai-vos todos vós, e vinde agora, pois sábio nenhum acharei entre vós.
11Meus dias se passaram, meus pensamentos foram arrancados, os desejos do meu coração.
12Tornaram a noite em dia; a luz se encurta por causa das trevas.
13Se eu esperar, o Xeol será minha casa; nas trevas estenderei minha cama.
14À cova chamo: Tu és meu pai; e aos vermes: Sois minha mãe e minha irmã.
15Onde, pois, estaria agora minha esperança? Quanto à minha esperança, quem a poderá ver?
16Será que ela descerá aos ferrolhos do Xeol? Descansaremos juntos no pó da terra?
Jó 18Abrir no leitor
1Então Bildade, o suíta, respondeu, dizendo:
2Quando é que dareis fim às palavras? Prestai atenção, e então falaremos.
3Por que somos considerados animais, e tolos em vossos olhos?
4Ó tu, que despedaças tua alma com tua ira; será a terra abandonada por tua causa, e será movida a rocha de seu lugar?
5Na verdade, a luz dos perverso se apagará, e a faísca de seu fogo não brilhará.
6A luz se escurecerá em sua tenda, e sua lâmpada sobre ele se apagará.
7Os seus passos fortes serão encurtados, e seu próprio intento o derrubará.
8Pois será lançado à rede pelos seus próprios pés, e sobre fios enredados andará.
9Laço o pegará pelo calcanhar; a armadilha o prenderá.
10Uma corda lhe está escondida debaixo da terra, e uma armadilha para ele está no caminho.
11Assombros o espantarão ao redor, e o farão correr por onde seus passos forem.
12Sua força se tornará em fome, e a perdição está pronta ao seu lado.
13Partes de sua pele serão consumidas; o primogênito da morte devorará os membros de seu corpo.
14Será arrancado de sua tenda em que confiava, e será levado ao rei dos assombros.
15Em sua tenda morará o que não é seu; enxofre se espalhará sobre a sua morada.
16Por debaixo suas raízes se secarão, e por cima seus ramos serão cortados.
17Sua memória perecerá da terra, e não terá nome pelas ruas.
18Será lançado da luz para as trevas, e expulso será do mundo.
19Não terá filho nem neto entre seu povo, nem sobrevivente em suas moradas.
20Os do ocidente se espantarão com o seu dia, e os do oriente ficarão horrorizados.
21Assim são as moradas do perverso, e este é o lugar daquele que não reconhece a Deus.
Jó 19Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu dizendo:
2Até quando atormentareis minha alma, e me quebrantareis com palavras?
3Já dez vezes me humilhastes; não tendes vergonha em me maltratar.
4Mesmo se eu tiver errado, meu erro cabe apenas a mim.
5Visto que vos exaltais contra mim, e contra mim usais minha desgraça,
6Sabei, pois, que foi Deus que me transtornou, e com sua rede me cercou.
7Eis que eu clamo: Violência! Porém não sou respondido; grito, porém não há justiça.
8Ele entrincheirou meu caminho, de modo que não consigo passar; e pôs trevas sobre minhas veredas.
9Ele me despojou de minha honra, e tirou a coroa de minha cabeça.
10Ele me derrubou por todos os lados, e pereço; e arrancou minha esperança como a uma árvore.
11E fez inflamar contra mim sua ira, e me considerou para consigo como a um de seus inimigos.
12Juntas vieram suas tropas; prepararam contra mim seu caminho, e se acamparam ao redor de minha tenda.
13Ele afastou meus irmãos para longe de mim; e os que me conheciam agora me estranham.
14Meus parentes me deixaram, e meus conhecidos se esqueceram de mim.
15Os moradores de minha casa e minhas servas me tiveram por estranho; estrangeiro me tornei em seus olhos.
16Chamei a meu servo, e ele não respondeu; de minha própria boca eu lhe suplicava.
17Meu hálito é estranho à minha mulher, e sou repugnante aos filhos de minha mãe.
18Até os meninos me desprezam; quando eu me levanto, falam contra mim.
19Todos os meus amigos próximos me abominam; e até aqueles que eu amava se viraram contra mim.
20Meus ossos se grudaram à minha pele e à minha carne; e escapei só com a pele de meus dentes.
21Compadecei-vos de mim, meus amigos, compadecei-vos de mim; pois a mão de Deus me tocou.
22Por que vós me perseguis como Deus, e não vos fartais de minhas carne?
23Ah se minhas palavras fossem escritas! Ah se fossem escritas em um livro!
24Que com ponta de ferro e com chumbo fossem esculpidas em pedra para sempre!
25Pois eu sei que meu Redentor vive, e ao fim se levantará sobre a terra;
26E mesmo depois de consumida minha pele, então em minha carne verei a Deus;
27Ao qual eu verei para mim, e meus olhos o verão, e não outro. Isto é o que minhas entranhas anseiam dentro de mim.
28Se disserdes: Como o perseguiremos? Pois a raiz do problema se acha em mim,
29Temei vós mesmos a espada; pois furor há nos castigos pela espada; para que assim saibais que haverá julgamento.
Jó 20Abrir no leitor
1E Zofar, o naamita, respondeu, dizendo:
2Por isso meus meus pensamentos me fazem responder; por causa da agitação dentro de mim.
3Eu ouvi a repreensão que me envergonha; mas o espírito desde o meu entendimento responderá por mim.
4Por acaso não sabes isto, que foi desde a antiguidade, desde que o ser humano foi posto no mundo?
5Que o júbilo dos perversos é breve, e a alegria do hipócrita dura apenas um momento?
6Ainda que sua altura subisse até o céu, e sua cabeça chegasse até as nuvens,
7Mesmo assim com o seu excremento perecerá para sempre; os que houverem o visto, dirão: Onde ele está?
8Como um sonho voará, e não será achado; e será afugentado como a visão noturna.
9O olho que já o viu nunca mais o verá; nem seu lugar olhará mais para ele.
10Seus filhos procurarão o favor dos pobres; e suas mãos devolverão a sua riqueza.
11Seus ossos estão cheios de sua juventude, que juntamente com ele se deitará no pó.
12Se o mal é doce em sua boca, e o esconde debaixo de sua língua;
13Se o guarda para si, e não o abandona; ao contrário, o retém em sua boca.
14Sua comida se mudará em suas entranhas, veneno de cobras será em seu interior.
15Engoliu riquezas, porém as vomitará; Deus as tirará de seu ventre.
16Veneno de cobras subará; língua de víbora o matará.
17Não verá correntes, rios, e ribeiros de mel e de manteiga.
18Restituirá o trabalho e não o engolirá; da riqueza de seu comério não desfrutará.
19Pois oprimiu e desamparou aos pobres; roubou a casa que não edificou;
20Por não ter sentido sossego em seu ventre, nada preservará de sua tão desejada riqueza.
21Nada lhe restou para que devorasse; por isso sua riqueza não será duradoura.
22Estando cheio de sua fartura, ainda estará angustiado; todo o poder da miséria virá sobre ele.
23Quando ele estiver enchendo seu vendre, Deus mandará sobre ele o ardor de sua ira, e a choverá sobre ele em sua comida.
24Ainda que fuja das armas de ferro, o arco de bronze o atravessará.
25Ele a tirará de seu corpo, e a ponta brilhante atingirá seu fígado; haverá sobre ele assombros.
26Todas as trevas estão reservadas para seus tesouros escondidos; um fogo não assoprado o consumirá; acabará com o que restar em sua tenda.
27Os céus revelarão sua maldade, e a terra se levantará contra ele.
28As riquezas de sua casa serão transportadas; nos dias de sua ira elas se derramarão.
29Esta é a parte que Deus dá ao homem perverso, a herança que Deus lhe prepara.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.