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Jó 21–28
Jó 21Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Ouvi atentamente minhas palavras, e seja isto vossas consolações.
3Suportai-me, e eu falarei; e depois de eu ter falado, então zombai.
4Por acaso eu me queixo de algum ser humano? Porém ainda que assim fosse ,por que meu espírito não se angustiaria?
5Olhai-me, e espantai-vos; e ponde a mão sobre a boca.
6Pois quando eu me lembro disto ,me assombro, e minha carne é tomada de tremor.
7Por que razão os perversos vivem, envelhecem, e ainda crescem em poder?
8Seus filhos progridem com eles diante de seus rostos; e seus descendentes diante de seus olhos.
9Suas casas têm paz, sem temor, e a vara de Deus não está contra eles.
10Seus touros procriam, e não falham; suas vacas geram filhotes, e não abortam.
11Suas crianças saem como um rebanho, e seus filhos saem dançando.
12Levantam a voz ao som de tamboril e de harpa e se alegram ao som de flauta.
13Em prosperidade gastam seus dias, e em um momento descem ao Xeol.
14Assim dizem a Deus: Afasta-te de nós, porque não queremos conhecer teus caminhos.
15Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E de que nos aproveitará que oremos a ele?
16Eis que sua prosperidade não se deve às mãos deles. Longe de mim esteja o conselho dos perversos!
17Quantas vezes sucede que a lâmpada dos perversos se apaga, e sua perdição vem sobre eles, e Deus em sua ira lhes reparte dores?
18Eles serão como palha diante do vento, como o restos de palha que o turbilhão arrebata.
19Vós dizeis : Deus guarda sua violência para seus filhos. Que Deus pague ao próprio perverso ,para que o conheça.
20Seus olhos vejam sua ruína, e beba da ira do Todo-Poderoso.
21Pois que interesse teria ele em sua casa depois de si, quando o número for cortado o número de seus meses?
22Poderia alguém ensinar conhecimento a Deus, que julga até os que estão no alto?
23Alguém morre na sua força plena, estando todo tranquilo e próspero,
24Seus baldes estando cheios de leite, e o tutano de seus ossos umedecido.
25Porém outro morre com amargura de alma, nunca tendo experimentado a prosperidade.
26Juntamente jazem no pó, e os vermes os cobrem.
27Eis que eu sei vossos pensamentos, e os mais intentos que planejais contra mim.
28Porque dizeis: Onde está a casa do príncipe?, e: Onde está tenda das moradas dos perversos?
29Por acaso não perguntastes aos que passam pelo caminho, e não conheceis seus sinais?
30Que os maus são preservados no dia da destruição, e são livrados no dia das fúrias?
31Quem lhe denunciará seu caminho em sua face? E quem lhe pagará pelo que ele fez?
32Finalmente ele é levado à sepultura, e no túmulo fazem vigilância.
33Os torrões do vale lhe são doces; e todos o seguem; e adiante dele estão inúmeros.
34Como, pois, me consolais em vão, já que vossas em vossas respostas só resta falsidade?
Jó 22Abrir no leitor
1Então Elifaz, o temanita, respondeu, dizendo:
2Por acaso o homem será de algum proveito a Deus? Pode ele se beneficiar de algum sábio?
3É útil ao Todo-Poderoso que sejas justo? Ganha ele algo se os teus caminhos forem íntegros?
4Acaso ele te repreende e vem contigo a juízo por causa da tua reverência?
5Ou não será por causa de tua grande malícia, e de tuas maldades que não têm fim?
6Porque tomaste penhor a teus irmãos sem causa, e foste tu que tiraste as roupas dos nus.
7Não deste de beber água ao cansado, e negaste o pão ao faminto.
8Porém o homem poderoso teve a terra; e o homem influente habitava nela.
9Às viúvas despediste vazias, e os braços dos órfãos foram quebrados.
10Por isso que há laços ao redor de ti, e espanto repentino te perturbou;
11Ou trevas, para que não vejas; e inundação de água te cobre.
12Por acaso Deus não está na altura dos céus? Olha, pois, para o cume das estrelas, como estão elevadas.
13Porém tu dizes: O que Deus sabe? Como ele julgará por entre a escuridão?
14As nuvens são seu esconderijo, e ele não vê; ele passeia pela abóbada do céu.
15Por acaso deste atenção para o velho caminho que pisaram os homens injustos?
16Tais foram cortados antes de tempo; sobre o fundamento deles foi derramada uma enchente.
17Eles diziam a Deus: Afasta-te de nós! O que o Todo-Poderoso pode fazer por nós?
18Sendo ele o que havia enchido suas casas de bens. Seja, porém, longe de mim o conselho dos perversos.
19Os justos virão e se alegrarão; e o inocente os escarnecerá,
20Dizendo : Certamente nossos adversários foram destruídos, e o que sobrou deles o fogo consumiu.
21Reconcilia-te, pois, com Deus ,e terás paz; assim o bem virá a ti.
22Aceita, pois, a instrução de sua boca, e põe suas palavras em teu coração.
23Se te converteres ao Todo-Poderoso, serás edificado; se afastares a maldade de tua tenda,
24E lançares teu ouro no pó, o ouro de Ofir junto às rochas dos ribeiros,
25Então o próprio Todo-Poderoso será teu ouro, e tua prata maciça.
26Porque então te deleitarás no Todo-Poderoso, e levantarás teu rosto a Deus.
27Orarás a ele, e ele te ouvirá; e tu lhe pagarás teus votos.
28Aquilo que tu determinares se cumprirá a ti, e em teus caminhos a luz brilhará.
29Quando alguém for abatido, e tu disseres: Haja exaltação, Então Deus salvará ao humilde.
30Ele libertará até ao que não é inocente, que será livrado pela pureza de tuas mãos.
Jó 23Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Até hoje minha queixa é uma amargura; a mão de Deus sobre mim é mais pesada que meu gemido.
3Ah se eu soubesse como poderia achá-lo! Então eu me chegaria até seu trono.
4Apresentaria minha causa diante dele, e encheria minha boca de argumentos.
5Eu saberia as palavras que ele me responderia, e entenderia o que me diria.
6Por acaso ele brigaria comigo com seu grande poder? Não, pelo contrário, ele me daria atenção.
7Ali o íntegro pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre de meu Juiz.
8Eis que se eu for ao oriente, ele não está ali; se for ao ocidente, e não o percebo;
9Se ao norte ele opera, eu não o vejo; se ele se esconde ao sul, não o enxergo.
10Porém ele conhece meu caminho: Provar-me-á, e sairei como ouro.
11Meus pés seguiram seus passos; guardei seu caminho, e não me desviei.
12Nunca retirei de mim o preceito de seus lábios, e guardei as palavras de sua boca mais que minha porção de comida .
13Porém se ele está decidido, quem poderá o desviar? O que sua alma quiser, isso fará.
14Pois ele cumprirá o que está determinado para mim; ele ainda tem muitas coisas como estas consigo.
15Por isso eu me perturbo em sua presença. Quando considero isto ,tenho medo dele.
16Deus enfraqueceu meu coração; o Todo-Poderoso tem me perturbado.
17Pois não estou destruído por causa das trevas, nem por causa da escuridão que encobriu meu rosto.
Jó 24Abrir no leitor
1Por que os tempos não são marcados pelo Todo-Poderoso? Por que os que o conhecem não veem seus dias?
2Há os que mudam os limites de lugar, roubam rebanhos, e os apascentam.
3Levam o asno do órfão; penhoram o boi da viúva.
4Desviam do caminho aos necessitados; os pobres da terra juntos se escondem.
5Eis que como asnos selvagens no deserto eles saem a seu trabalho buscando insistentemente por comida; o deserto dá alimento a ele e a seus filhos.
6No campo colhem sua forragem, e vindimam a vinha do perverso.
7Passam a noite nus, por falta de roupa; sem terem coberta contra o frio.
8Pelas correntes das montanhas são molhados e, não tendo abrigo, abraçam-se às rochas.
9Há os que arrancam ao órfão do peito, e do pobre tomam penhor.
10Ao nus fazem andar sem vestes, e fazem os famintos carregarem feixes.
11Entre suas paredes espremem o azeite; pisam nas prensas de uvas, e ainda têm sede.
12Desde a cidade as pessoas gemem, e as almas dos feridos clamam; Mas Deus não dá atenção ao erro.
13Há os que se opõem à luz; não conhecem seus caminhos, nem permanecem em suas veredas.
14De manhã o homicida se levanta, mata ao pobre e ao necessitado, e de noite ele age como ladrão.
15O olho do adúltero aguarda o crepúsculo, dizendo: Olho nenhum me verá; E esconde seu rosto.
16Nas trevas vasculham as casas, de dia eles se trancam; não conhecem a luz.
17Porque a manhã é para todos eles como sombra de morte; pois são conhecidos dos pavores de sombra de morte.
18Ele é ligeiro sobre a superfície das águas; maldita é sua porção sobre a terra; não se vira para o caminho das vinhas.
19A seca e o calor desfazem as águas da neve; assim faz o Xeol aos que pecaram.
20A mãe se esquecerá dele; doce será para os vermes; nunca mais haverá memória dele , e a perversidade será quebrada como um árvore.
21Aflige à mulher estéril, que não dá à luz; e nenhum bem faz à viúva.
22Mas Deus arranca aos poderosos com seu poder; quando Deus se levanta, não há vida segura.
23Se ele lhes dá descanso, nisso confiam; mas os olhos de Deus estão postos nos caminhos deles.
24São exaltados por um pouco de tempo ,mas logo desaparecem; são abatidos, encerrados como todos, e cortados como cabeças das espigas.
25Se não é assim, quem me desmentirá, ou anulará minhas palavras?
Jó 25Abrir no leitor
1Então Bildade, o suíta, respondeu, dizendo:
2O domínio e o temor estão com ele; ele faz paz em suas alturas.
3Por acaso suas tropas têm número? E sobre quem não se levanta sua luz?
4Como, pois, o ser humano seria justo para com Deus? E como seria puro aquele que nasce de mulher?
5Eis que até a luz não tem brilho; nem as estrelas são puras diante de seus olhos.
6Quanto menos o ser humano, que é uma larva, e o filho de homem, que é um verme.
Jó 26Abrir no leitor
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Como tende ajudado ao que não tem força, e sustentado ao braço sem vigor!
3Como tende aconselhado ao que não tem conhecimento, e lhe explicaste detalhadamente a verdadeira causa!
4A quem tens dito tais palavras? E de quem é o espírito que sai de ti?
5Os mortos tremem debaixo das águas com os seus moradores.
6O Xeol está nu perante Deus , e não há cobertura para a perdição.
7Ele estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.
8Ele amarra as águas em suas nuvens, todavia a nuvem não se rasga debaixo dela.
9Ele encobre a face de seu trono, e sobre ele estende sua nuvem.
10Ele determinou limite à superfície das águas, até a fronteira entre a luz e as trevas.
11As colunas do céu tremem, e se espantam por sua repreensão.
12Ele agita o mar com seu poder, e com seu entendimento fere abate a Raabe.
13Por seu Espírito adornou os céus; sua mão perfurou a serpente veloz.
14Eis que estas são somente as bordas de seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem, pois, entenderia o trovão de seu poder?
Jó 27Abrir no leitor
1E Jó prosseguiu em falar seu discurso, e disse:
2Vive Deus, que tirou meu direito, o Todo-Poderoso, que amargou minha alma,
3Que enquanto meu fôlego estiver em mim, e o sopro de Deus em minhas narinas,
4Meus lábios não falarão injustiça, nem minha língua pronunciará engano.
5Nunca aconteça que eu diga que vós estais certos; até eu morrer nunca tirarei de mim minha integridade.
6Eu me apegarei à minha justiça, e não a deixarei ir; meu coração não terá de que me acusar enquanto eu viver.
7Seja meu inimigo como o perverso, e o que se levantar contra mim como o injusto.
8Pois qual é a esperança do hipócrita quando ele for cortado, quando Deus arrancar sua alma?
9Por acaso Deus ouvirá seu clamor quando a aflição vier sobre ele?
10Ele se deleitará no Todo-Poderoso? Invocará a Deus a todo tempo?
11Eu vos ensinarei acerca da mão de Deus; não esconderei o que há com o Todo-Poderoso.
12Eis que todos vós tendes visto isso ; então por que vos deixais enganar por ilusão?
13Esta é a porção do homem perverso para com Deus, a herança que os violentos receberão do Todo-Poderoso:
14Se seus filhos se multiplicarem, serão para a espada; e seus descendentes não se fartarão de pão;
15Os que lhe restarem, pela praga serão sepultados; e suas viúvas não chorarão.
16Se ele amontoar prata como o pó da terra, e se preparar roupas como lama,
17Mesmo ele tendo preparado, é o justo que se vestirá, e o inocente repartirá a prata.
18Ele constrói sua casa como a traça, como uma barraca feita por um vigilante.
19O rico dormirá, mas não será recolhido; ele abrirá seus olhos, e nada mais há para si.
20Medos o tomarão como águas; um turbilhão o arrebatará de noite.
21O vento oriental o levará, e ele partirá; e toma-o de seu lugar.
22E o atacará sem o poupar, enquanto ele tenta fugir de seu poder.
23Baterá palmas por causa dele, e desde seu lugar lhe assoviará.
Jó 28Abrir no leitor
1Certamente há minas para a prata, e o ouro lugar onde o derretem.
2O ferro é tirado do solo, e da pedra se funde o cobre.
3O homem põe fim às trevas, e investiga em toda extremidade, as pedras que estão na escuridão e nas mais sombrias trevas.
4Abre um poço onde não há morador, lugares esquecidos por quem passa a pé; pendurados longe da humanidade, vão de um lado para o outro.
5Da terra o pão procede, e por debaixo ela é transformada como que pelo fogo.
6Suas pedras são o lugar da safira, e contém pó de ouro.
7A ave de rapina não conhece essa vereda; os olhos do falcão não a viram.
8Os filhotes de animais ferozes nunca a pisaram, nem o feroz leão passou por ela.
9O homem põe sua mão no rochedo, e revolve os montes desde a raiz.
10Cortou canais pelas rochas, e seus olhos veem tudo o que é precioso.
11Ele tapa os rios desde suas nascentes, e faz o oculto sair para a luz.
12Porém onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?
13O ser humano não conhece o valor dela, nem ela é achada na terra dos viventes.
14O abismo diz: Não está em mim; E o mar diz: Nem comigo.
15Nem por ouro fino se pode comprar, nem se pesar em troca de prata.
16Não pode ser avaliada com ouro de Ofir, nem com ônix precioso, nem com safira.
17Não se pode comparar com ela o ouro, nem o cristal; nem se pode trocar por joia de ouro fino.
18De coral nem de quartzo não se fará menção; porque o preço da sabedoria é melhor que o de rubis.
19O topázio de Cuxe não se pode comparar com ela; nem pode ser avaliada com o puro ouro fino.
20De onde, pois, vem a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência?
21Porque encoberta está aos olhos de todo vivente, e é oculta a toda ave do céu.
22O perdição e a morte dizem: Com nossos ouvidos ouvimos sua fama.
23Deus entende o caminho dela, e ele conhece seu lugar.
24Porque ele enxerga até os confins da terra, e vê tudo o que há debaixo de céus.
25Quando ele deu peso ao vento, e estabeleceu medida para as águas;
26Quando ele fez lei para a chuva, e caminho para o relâmpago dos trovões,
27Então ele a viu, e relatou; preparou-a, e também a examinou.
28E disse ao homem: Eis que o temor ao Senhor é a sabedoria, e o desviar-se do mal é a inteligência.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.