Dia 1 de 60 · uns 12 min
Jó 1–4
Jó 1Abrir no leitor
1Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este homem era íntegro e correto, temente a Deus, e que se afastava do mal.
2E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
3E seu patrimônio era sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; ele também tinha muitíssimos servos, de maneira que este homem era o maior de todos do oriente.
4E seus filhos iam nas casas uns dos outros para fazerem banquetes, cada um em seu dia; e mandavam convidar as suas três irmãs, para que comessem e bebessem com eles.
5E acontecia que, acabando-se o revezamento dos dias de banquetes, Jó enviava e os santificava, e se levantava de madrugada para apresentar holocaustosconforme o número de todos eles. Pois Jó dizia: Talvez meus filhos tenham pecado, e tenham amaldiçoado a Deus em seus corações. Assim Jó fazia todos aqueles dias.
6E em certo dia, os filhos de Deus vieram para se apresentarem diante do SENHOR, e Satanás também veio entre eles.
7Então o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
8E o SENHOR disse a Satanás: Tendes visto meu servo Jó? Pois ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e correto, temente a Deus, e que se afasta de mal.
9Então Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: Por acaso Jó teme a Deus em troca de nada?
10Por acaso tu não puseste uma cerca ao redor dele, de sua casa, e de tudo quanto ele tem? Tu abençoaste o trabalho de suas mãos, e seu patrimônio tem crescido sobre a terra.
11Mas estende agora tua mão, e toca em tudo quanto ele tem; e verás se ele não te amaldiçoa em tua face.
12E o SENHOR disse a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em tua mão; somente não estendas tua mão contra ele. E Satanás saiu de diante do SENHOR.
13E sucedeu um dia que seus filhos e filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa de seu irmão primogênito,
14Que veio um mensageiro a Jó, que disse: Enquanto os bois estavam arando, e as jumentas se alimentando perto deles,
15Eis que os sabeus atacaram, e os tomaram, e feriram os servos a fio de espada; somente eu escapei para te trazer a notícia.
16Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Fogo de Deus caiu do céu, que incendiou as ovelhas entre os servos, e os consumiu; somente eu escapei para te trazer-te a notícia.
17Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Os caldeus formaram três tropas, e atacaram os camelos, e os tomaram, e feriram os servos a fio de espada; somente eu escapei para te trazer a notícia.
18Enquanto este ainda estava falando, veio outro que disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho em casa de seu irmão primogênito,
19E eis que veio um grande vento do deserto, e atingiu os quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; somente eu escapei para te trazer a notícia.
20Então Jó se levantou, rasgou sua capa, rapou sua cabeça, e caindo na terra, adorou,
21E disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu para lá voltarei. O SENHOR deu, e o SENHOR tomou; bendito seja o nome do SENHOR.
22Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.
Jó 2Abrir no leitor
1E veio outro dia em que os filhos de Deus vieram para se apresentarem diante do SENHOR, e e Satanás também veio entre eles para se apresentar diante do SENHOR.
2Então o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
3E o SENHOR disse a Satanás: Tendes visto meu servo Jó? Pois ninguém há semelhante a ele na terra, homem íntegro e correto, temente a Deus e que se afasta do mal; e que ainda mantém sua integridade, mesmo depois de teres me incitado contra ele, para o arruinar sem causa.
4Então Satanás respondeu ao SENHOR, dizendo: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem, dará por sua vida.
5Mas estende agora tua mão, e toca em seus ossos e sua carne, e verás se ele não te amaldiçoa em tua face.
6E o SENHOR disse a Satanás: Eis que ele está em tua mão; mas preserva sua vida.
7Então Satanás saiu de diante do SENHOR, e feriu a Jó de chagas malignas desde a planta de seus pés até a topo de sua cabeça.
8E Jó tomou um caco para se raspar com ele, e ficou sentado no meio da cinza.
9Então sua mulher lhe disse: Ainda manténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.
10Porém ele lhe disse: Tu falas como uma tola. Receberíamos o bem de Deus, e o mal não receberíamos? Em tudo isto Jó não pecou com seus lábios.
11Quando três amigos de Jó, Elifaz temanita, Bildade suíta, e Zofar naamita, ouviram todo este mal que lhe tinha vindo sobre ele, vieram cada um de seu lugar; porque haviam combinado de juntamente virem para se condoerem dele, e o consolarem.
12Eles, quando levantaram seus olhos de longe, não o reconheceram; e choraram em alta voz; e cada um deles rasgou sua capa, e espalharam pó ao ar sobre suas cabeças.
13Assim se sentaram com ele na terra durante sete dias e sete noites, e nenhum lhe falava palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.
Jó 3Abrir no leitor
1Depois disto Jó abriu sua boca, e amaldiçoou seu dia.
2Pois Jó respondeu, e disse:
3Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Um homem foi concebido.
4Torne-se aquele dia em trevas; Deus não lhe dê atenção desde acima, nem claridade brilhe sobre ele.
5Reivindiquem-no para si trevas e sombra de morte; nuvens habitem sobre ele; a escuridão do dia o espante.
6Tome a escuridão aquela noite; não seja contada entre os dias do ano, nem faça parte do número dos meses.
7Ah se aquela noite fosse solitária, e música de alegria não viesse a ela!
8Amaldiçoem-na os que amaldiçoam o dia, os que se preparam para levantar seu pranto.
9Escureçam-se as estrelas de sua manhã; espere a luz, e não venha, e as pálpebras não vejam o amanhecer;
10Pois não fechou as portas do ventre onde eu estava, nem escondeu de meus olhos o sofrimento.
11Por que eu não morri desde a madre, ou perdi a vida ao sair do ventre?
12Por que joelhos me receberam? E por que seios me amamentaram?
13Pois agora eu jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim;
14Com os reis e os conselheiros da terra, que edificavam para si os desertos;
15Ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam suas casas de prata.
16Ou por que não fui como um aborto oculto, como as crianças que nunca viram a luz?
17Ali os maus deixam de perturbar, e ali repousam os cansados de forças.
18Ali os prisioneiros juntamente repousam; e não ouvem a voz do opressor.
19Ali estão o pequeno e o grande; e o servo livre está de seu senhor.
20Por que se dá luz ao sofredor, e vida aos amargos de alma,
21Que esperam a morte, e ela não chega, e que a buscam mais que tesouros;
22Que saltam de alegram e ficam contentes quando acham a sepultura?
23E também ao homem cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?
24Pois antes do meu pão vem meu suspiro; e meus gemidos correm como águas.
25Pois aquilo eu temia tanto veio a mim, e aquilo que tinha medo me aconteceu.
26Não tenho tido descanso, nem tranquilidade, nem repouso; mas perturbação veio sobre mim.
Jó 4Abrir no leitor
1Então Elifaz o temanita respondeu, dizendo:
2Se tentarmos falar contigo, ficarás incomodado? Mas quem poderia deter as palavras?
3Eis que tu ensinavas a muitos, e fortalecias as mãos fracas;
4Tuas palavras levantavam aos que tropeçavam, e fortificavas os joelhos que desfaleciam.
5Mas agora isso que aconteceu contigo, tu te cansas; e quando isso te tocou, te perturbas.
6Por acaso não era o teu temor a Deus a tua confiança, e a integridade dos teus caminhos tua esperança?
7Lembra-te agora, qual foi o inocente que pereceu? E onde os corretos foram destruídos?
8Como eu tenho visto, os que lavram injustiça e semeiam opressão colhem o mesmo.
9Com o sopro de Deus eles perecem, e pelo vento de sua ira são consumidos.
10O rugido do leão, a voz do leão feroz, e os dentes dos leões jovens são quebrantados.
11O leão velho perece por falta de presa, e os filhotes da leoa se dispersam.
12Uma palavra me foi dita em segredo, e meu ouvidos escutaram um sussurro dela.
13Em imaginações de visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens,
14Espanto e tremor vieram sobre mim, que espantou todos os meus ossos.
15Então um vento passou por diante de mim, que fez arrepiar os pelos de minha carne.
16Ele parou, mas não reconheci sua feição; uma figura estava diante de meus olhos, e ouvi uma voz quieta, que dizia :
17Seria o ser humano mais justo que Deus? Seria o homem mais puro que seu Criador?
18Visto que ele não confia em seus servos, e considera seus anjos como loucos,
19Quanto mais naqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são esmagáveis como a traça!
20Desde a manhã até a tarde são despedaçados, e perecem sempre, sem que ninguém perceba.
21Por acaso sua excelência não se perde com eles mesmos? Eles morrem sem sabedoria.
Texto: Bíblia Livre (BLIVRE), Copyright © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles, fevereiro de 2018. Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Brasil.